Material produzido para a disciplina de Desenvolvimento, Pobreza e Sustentabilidade com a professora Rita Inês Paetzhold Pauli
Vulnerabilidade e Desequilíbrio Ambiental Crescente
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) projetou um aumento na temperatura média global entre 1,48ºC e 5,88ºC no período de 1990 a 2100.
Um aumento na temperatura nunca visto nos últimos
10.000 anos. Isso se deve às concentrações de gases efeito estufa durante o século XXI que podem desencadear mudanças ambientais mais rápidas e voláteis.
O aumento de temperatura global aponta para um degelo rápido e derretimento do permafrost
O derretimento do permafrost implica a liberação de mais carbono na atmosfera, acelerando ainda mais o aquecimento global.
Mudanças nos níveis regional e global
Essas mudanças representam grandes descontinuidades nos climas globais e regionais com impactos potencialmente sem precedentes nos sistemas sociais e econômicos.
Os autores indicaram a possibilidade de um “efeito estufa descontrolado por conta do desligamento da termohalina do Atlântico Norte (Velinger & Wood, 2002).
Cenários Apocalípticos
O autor discute a negação destes fatos pelos meios científicos. E afirma que o crescente reconhecimento e as evidências científicas crescem, vemos um terreno novo e mais contestado se desenvolvendo em torno dos “limites do crescimento” da economia do carbono.
As previsões deveriam impactar para uma diminuição na queima de combustíveis fósseis imediatamente.
Terry Marsden sugere que o teor da política ambiental global e regional nas próximas décadas se situará em um paradoxo crescente e contestado, em vez de qualquer transição lenta para o que alguns autores chamaram de “liberalismo verde” (Wissenburg, 1998), ou uma ‘política pós-ecológica’ (Blühdorn, 1997).
A negação dos interesses industriais e farmacêuticos
Os interesses industriais e farmacêuticos tentam negar ou encontrar paliativos tecnológicos, por um lado, e por outro, reconhecem a crescente escassez e vulnerabilidade de sua base exploradora de recursos naturais.
A dependência contínua dos combustíveis fósseis como um recurso finito deve exigir um reajuste significativo.
Novas Políticas e Economias
A aplicação da 'economia dos combustíveis fósseis' em um contexto de vulnerabilidade e danos ambientais reais e globais (ou seja, insustentabilidade), estão definindo um contexto regulatório muito mais volátil dentro do qual a ciência social ambiental agora se encontra.
O autor aborda a negação desigual e contestada do esgotamento de recursos (especialmente por estados-nação e corporações globais) que define o contexto revisado para a ciência social ambiental.
Noções de Modernização Ecológica
A ciência social ambiental se encontra na justaposição da crescente vulnerabilidade ambiental, enquanto a economia e a política de negação dão continuidade com os processos entrópicos.
Existem alternativas autônomas para a “esteira da produção” e quanto à hegemonia da economia de combustível fóssil (Schnaiberg et at., 2002).
Ciência da Sustentabilidade
Esse contexto intenso e conflituoso fornece um pano de fundo importante para o desenvolvimento futuro da ciência social ambiental interdisciplinar, ou o que alguns estão começando a chamar de “ciência da sustentabilidade”.
Até que ponto estamos vendo a chegada de um conjunto de processos mais ecologicamente modernizadores baseados em novos sistemas comunitários e regionais de governança e regulação?
Podem ser estabelecidos espaços e comunidades (de interesse e de espaço) que progridam criticamente e se engajem em práticas reais de sustentabilidade?
Qual é a probabilidade de que estes possam ser ampliados ou serem mais amplamente divulgados?
Esteira de Produção
O modelo de ‘esteira de produção’ prioriza as economias de escala sobre as deseconomias de espaço.
Tende a substituir o enraizamento socionatural em favor de fluxos e transações cada vez mais móveis.
A atual “máquina de crescimento” é um paradigma contínuo e poderoso e propositalmente tende a desafiar essas relacionalidades. E tende a marginalizar o caso da diversidade ecológica e social.
Agroalimentar na China e Brasil
O autor examina a interação de processo e escala com referência ao agroalimentar na China e no Brasil na segunda parte do artigo.
Usando evidências dos complexos de recursos associados à esfera rural e agroalimentar nos países “recentemente industrializados” da China e do Brasil, para desenvolver alternativas ecológicas reais por meio da construção de redes locais e regionais.
Agenda de Pesquisa em Ciências Sociais Ambientais
O autor avaliar por fim, as implicações para a agenda de pesquisa em ciências sociais ambientais de adotar uma abordagem ecologicamente modernizadora renovada no contexto de uma “economia de combustível fóssil” predominante, ainda que mutante. Isso exige um exame crítico do envolvimento local e comunitário no desenvolvimento de suas alternativas sustentáveis.
A Economia Política da Negação: o prolongado ‘pôr do sol’ do modelo de desenvolvimento de combustível fóssil
O combustível fóssil levou o ser humano a uma “idade de ouro”. Desenvolveu tecnologias para reorganizar cadeias de valor e espaços de forma a evitar muitas das externalidades ambientais.
Mobilizou a globalização e as mobilidades como formas de gerenciar o insustentável (Sachs, 1999).
A globalização Fornece os meios para a transnacionalização do “carbonismo explorador” através das crescentes mobilidades geográficas e virtuais de conhecimento, capital e trabalho.
Segundo Sachs (1999)em Globalização e sustentabilidade, "tanto a China, fábricas químicas no México e a agricultura industrial nas Filipinas estão em uma onda no estágio de desenvolvimento econômico intensivo com base na utilização de recursos fósseis.
Em toda parte prevalece um mimetismo social-industrial, uma cópia de modos de produção e consumo que, diante da crise da natureza, já podem ser considerados obsoletos.
Os alvos privilegiados para o investimento são, portanto, precisamente a extração de matérias-primas ou as infraestruturas de energia e transporte, que impulsionam cada vez mais o uso dos recursos naturais.
A remoção dos obstáculos nacionais à atividade de investimento mantém uma relação cada vez mais tensa com as limitações biofísicas da Terra."
Bunker & Ciccantell (2005, p. 42) sugerem que esses processos estão ligados às maneiras pelas quais: o processo de globalização de longo prazo está fundamentalmente enraizado para resolver a contradição entre as economias de escala e o deseconomias de espaço.
Grande parte da Europa, por meio de sua legislação ambiental cada vez mais complexa e apoio agroambiental, pode começar a proteger seus espaços ao mesmo tempo em que importa alimentos e outros bens que estão fora dessas formas restritivas de regulamentação.
Outro caso diz respeito aos recentes 'pânicos morais' sobre as reservas de petróleo e os aumentos dos preços mundiais associados aos efeitos do furacão Katrina em setembro de 2005.
Os principais economistas de ambos os lados do Atlântico tendem a ignorar o 'efeito catraca' de longo prazo do petróleo no aumento de preços e a questão da crescente escassez.
A fé nos avanços tecnológicos em eficiência de combustível nas economias avançadas (ou seja, uma forma de modernização ecológica fraca), juntamente com a contínua exploração extensiva de recursos em outros lugares, parece encorajar esse processo de negação no Ocidente.
O processo de negação econômica e política não se relaciona apenas às rejeições (como no caso dos EUA) ou respostas indiferentes à assinatura de acordos ambientais internacionais, como Kyoto (Cohen & Egelston, 2003).
Também está muito mais enraizado no corpo político, na governança e no desenvolvimento científico de muitas economias avançadas contemporâneas, bem como em suas ciências sociais.
O espelho da desregulamentação e da reregulação pode ser usado ao mesmo tempo em nome da liberdade de comércio.
Os processos de internacionalização e deslocalização dependem da intervenção do Estado, mais em alguns setores do que outros.
E tentam controlar os recursos biofísicos locais e regionais por meio da geração de mobilidades de poder, governança e fluxos de mercadorias.
A negação do poder territorial
O espaço ecológico é central, como uma simples entidade física e material e como um recurso explorador, para as economias baseadas no carbono. Mas essa centralidade se baseia em continuar negando seu próprio poder territorial e relacional. Esta é a política espacial da negação.
Proteção legal para invenções patenteadas de produtos e processos biológicos
Dão ao monopólio o direito de comercializar os recursos genéticos.
As novas patentes permitem que as empresas se apropriem de partes do reino natural que antes eram mercadorias gratuitas e transformá-los em um recurso econômico com aplicações mais amplas.
Controle de sementes e raças genéticas
Os direitos de propriedade da terra, sob o capitalismo agrário, levaram em muitas regiões a tendências monoculturais.
A concentração de propriedade e controle sobre os recursos vegetais vem se acelerando nos últimos 20 anos (Mulvany, 2005). A tendência é de mercantilizar o controle de sementes e raças genéticas selecionadas longe dos produtores locais.
Sementes vendidas
Há um século, a maioria dos criadores de sementes e gado tinha disponibilidade gratuita para uma ampla variedade de sementes e raças.
Agora, a maioria das sementes vendidas é controlada por dez empresas globais de sementes. Que controlam mais de um terço das vendas de sementes comerciais do mundo, com quatro empresas controlando mais de três quartos do mercado mundial de milho comercial.
Tecnologias de Restrição de Uso Genético
Através do desenvolvimento de Tecnologias de Restrição de Uso Genético (GURTS), apelidadas de terminator ou tecnologias Traitor, as empresas de sementes podem efetivamente "desligar" a capacidade de germinação das sementes produzidas na fazenda, forçando os agricultores a comprar novas sementes a cada temporada.
A importância de preservar as sementes
Esses desenvolvimentos são fortemente combatidos em muitos países, principalmente na África. Por exemplo, o Fórum de Pequenos Agricultores do Quênia (Mulvany, 2005) organizou um forte lobby contra sua promoção pelo governo queniano e instituições científicas.
Esses movimentos, tanto globais quanto locais, priorizam a proteção do acesso aberto à maior diversidade possível de recursos genéticos.
Negação de formas de conhecimento locais
Os níveis atuais e crescentes de integração entre a economia baseada no carbono e as biociências e nanociências no setor agroalimentar convencional sugerem mais mutações e, de fato, oportunidades para a economia baseada no carbono.
A atual direção de desenvolvimento sugere a negação contínua de formas e conhecimentos locais e regionais do espaço ecológico.
Exploração Ecológica
Faz sentido para quem é dono do capital de que a exploração ecológica continue e se mantenha insustentável.
As forças de negação fornecem uma base para sustentar formas de desenvolvimento regional desigual em escala global, ao mesmo tempo em que mascaram e atrasam a modernização ambiental real por meio do redesenvolvimento de forças e práticas produtivas e consumistas.
Ciência social da negação
A política e a ciência social da negação é seriamente profunda. Ela não nega a necessidade de mudança, mas restringe essa mudança de dentro de seu próprio paradigma industrial e tecnológico.
Falsas soluções
A chegada e o desenvolvimento de tecnologias genéticas fornecem a mais recente “solução” tecnológica para abraçar a segurança alimentar, os benefícios para a saúde e a proteção ambiental dos recursos agrícolas.
É um paradigma que defende uma definição específica de “desenvolvimento sustentável”.
Política da negação
A política e a economia política da negação demonstram como tecnologias, conceitos, discursos e combinações particulares de ideias e ações regulatórias e neoliberais do Estado podem se unir de maneira a progredir nessa negação.
Bunker & Ciccantell (2005) apontam duas vertentes comuns:
1 - Manter padrões regionalmente desiguais de exploração de recursos e consumo de recursos entre novas combinações de regiões e estados 'centro' e 'periferia';
2 - Continuar a priorizar as economias e a economia política de escala acima das deseconomias de espaço.
A prioridade global, ou modelo de macro desenvolvimento, é manter a sustentabilidade de condições e processos de desenvolvimento ecologicamente insustentáveis,
E manter as ações e práticas locais e comunitárias alternativas sustentáveis em uma posição altamente vulnerável, mas também potencialmente emancipatória.
Por outro lado, no contexto das relações dialéticas mais amplas entre as forças negação e sustentabilidade traçadas de acordo com o autor, elas podem ser mais criticamente posicionadas como tentativas ativas e potencialmente autônomas de reincorporar e remontar desenvolvimentos econômicos e ecológicos baseados no local.
Modernização Ecológica
O artigo tenta situar a modernização ecológica dentro da economia política contemporânea, traçando a intensidade contemporânea e crescente dos processos de negação e vulnerabilidade.
Dois exemplos do campo de batalha entre negação e diversidade: China e Brasil
Os contextos da China urbana em rápido desenvolvimento e as plataformas de produção intensiva orientadas para a exportação do nordeste do Brasil.
Tensões envolvidas na reincorporação de espaços locais e relacionais de sustentabilidade como parte da modernização ecológica.
Em outro material, Escobar (1996, p. 169) aponta que além da negação, o rumo é a diversidade?
“A natureza é agora modelada na cultura; mais cedo ou mais tarde, a ‘natureza’ será produzida sob encomenda. É por isso que o regime emergente da biossocialidade deve encontrar seu lugar na base de uma ecologia política e biologia como formas de conhecimento sobre objetos semióticos materiais – organismos e comunidades – que são historicamente constituídos. É por isso que precisamos de novas narrativas de vida e cultura. Essas narrativas provavelmente serão uma espécie de híbridos; elas surgirão das mediações que as culturas locais são capazes de efetuar sobre os discursos e práticas da natureza, do capital e da modernidade.”
Projeto global de agricultura corporativa de autoria do Estado
As resistências (agriculturas comunitárias, movimentos de reintegração de posse de terras, movimento dos trabalhadores sem- terra brasileiros, etc.) expressam as contradições sociais e ecológicas do domínio do mercado e expõem a retórica do governo que busca legitimar um projeto global de agricultura corporativa de autoria do Estado. A interesse de quem?
Duas dimensões-chave na reconstrução da modernização ecológica real:
1 - Institucionalização e novas formas e novos níveis de governança;
2 - O restabelecimento do engajamento comunitário (nível local e regional) como mecanismo de enfrentamento para lidar com as inevitáveis vulnerabilidades do referido paradoxo ambiental.
Negação e Diversidade na China Rural
A China alimenta 22
Marsden, Terry. (2006). Denial or diversity? Creating new spaces for sustainable development. Journal of Environmental Policy & Planning - J ENVIRON POL PLAN. 8. 183-198. 10.1080/15239080600794674.
Este post é a tese. Leituras críticas e sínteses derivadas podem ampliar sua maturidade.