As Cinco Sabedorias
No Budismo Tibetano existe um ensinamento que trata das "Cinco Sabedorias".
Elas são simbolizadas por cinco cores, que podem ser vistas nas chamadas "bandeirinhas tibetanas", penduradas nos templos budistas ou em casas de praticantes ou simpatizantes do budismo.
As bandeirinhas simbolizam as sabedorias, a impermanência dos aspectos da vida (elas ficam penduradas até se desfiarem, bastante, pelo tempo, quando devem ser queimadas e trocadas por novas), e trazem proteção através dos mantras e orações inscritas nelas.
Voltando às cinco sabedorias, podemos entendê-las e praticá-las, individualmente ou relacionadas entre si.
A primeira é a "Sabedoria do Espelho", simbolizada pelo Azul.
Nessa sabedoria, entramos no mundo da outra pessoa, buscando perceber a vida através da perspectiva dela. Para isso, temos de, por esse momento, abandonar nossas marcas mentais e conceitualizações, não julgando, nem positivamente, nem negativamente. Procuramos "ser" e "sentir" como ela, sem se afetar e entrar em sofrimento. Somente, buscamos "olhar" com os "olhos" dela. Compreendemos um pouco sobre as causas e condições que a levaram àquelas dificuldades ou sofrimento.
A segunda é a "Sabedoria da Generosidade", simbolizada pelo Amarelo.
Nessa sabedoria, procuramos perceber qualidades positivas da pessoa (lembrando de que estamos percebendo a partir do mundo dela). Detectamos habilidades, muitas vezes, esquecidas ou reprimidas pelas dificuldades da vida dela; habilidades que estão como "sementes" que nunca tiveram condições favoráveis para "germinarem"; ou novas formas de olhar e usar habilidades que já fazem parte do seu dia-a-dia. Fazemos, então, ela tomar conhecimento do potencial que está bem ali, dentro dela, esperando ser desenvolvido.
Damos "nascimento positivo" para o surgimento de novas identidades que ela possa criar e que alegre seu coração e façam seus olhos brilharem. Por exemplo, ela tem a habilidade do canto e pode criar a identidade de cantora, se isso a fizer feliz.
Na sabedoria amarela, não priorizamos encontrar soluções para questões difíceis da vida da pessoa. Focamos nas novas possibilidades, novos hábitos, novos olhares para antigos hábitos e nas novas inteligências que ela possa desenvolver.
A terceira é a "Sabedoria da Estruturação", simbolizada pelo Vermelho.
Nessa sabedoria, ajudamos com as questões mais práticas. Verificamos as condições mais favoráveis ou recursos já disponíveis, para que as "identidades" que surgiram, anteriormente, possam ser desenvolvidas. Na falta de condições ou recursos já existentes, buscamos ajudar a pessoa a criá-los ou percebê-los de outras formas. Continuando no exemplo da pessoa que tem a habilidade do canto, mas, que sempre "cantou no chuveiro". Ela poderia ser beneficiada estudando numa escola de canto. Porém, ela não tem condições financeiras para isso. Ajudamos, então, a pensar em como seria possível. Uma bolsa de estudos, uma inserção num projeto social ou outras diferentes possibilidades.
A quarta é a "Sabedoria da Causalidade", simbolizada pelo Verde.
Nessa sabedoria, damos atenção a todas dificuldades que possam surgir no desenvolvimento dessas novas habilidades. Dificuldades essas, geradas por medo, baixa auto-estima, cobranças, entre outras muitas possíveis causas.
Aqui se trata bastante das questões kármicas (das leis de causa e efeito). Tudo o que "plantamos" de positivo ou negativo, provavelmente, colheremos. Entendemos que "fazemos a cama" para depois "nos deitarmos", mas, podemos tomar consciência de que não precisamos de fato "nos deitar", pois, somos livres para interromper o fluxo kármico e mudar as direções de nossas vidas.
É nessa questão que vamos procurar ajudar, para que a pessoa não responda, automaticamente, aos impulsos kármicos e se auto-sabotem.
Como no exemplo da aula de canto, a pessoa já está matriculada na escola, mas, algumas pessoas de seu convívio não apoiam, pois não acreditam no seu potencial, até mesmo ridicularizando-a e cobrando dela uma posição mais sensata socialmente, para fazer algo que gere mais dinheiro para sua família. Fazendo ela pensar em desistir.
Todas essas condições e relações humanas fazem parte da sua estrutura kármica. E nesse momento buscamos tirá-la, mentalmente, um pouco, dessa teia que a prende. Muitas vezes, temos que agir de forma incisiva e direta.
A quinta é a "Sabedoria da Transcendentalidade", simbolizada pelo Branco.
Nessa sabedoria, enaltecemos os ideais mais elevados da pessoa. Ajudamos a lembrar e reforçar tudo o que é mais precioso para ela. O que a nutre para que continue a lutar por uma vida melhor. Seja o Amor por familiares, a sua fé religiosa, suas crenças filosóficas, ou simplesmente o fato de não querer desistir da possibilidade de Ser Feliz.
Aqui, remetemos a pessoa ao mais próximo de sua essência, do seu coração amoroso, compassivo e confiante em si mesma e nos outros.
Ajudamos a fortalecer sua convicção em algo transcendental, que não vemos, mas, podemos sentir e vivenciar se nos permitirmos. E assim, transmutando muitos dos sofrimentos ou dificuldades, com os quais não precisaria mais conviver.
A Sabedoria Branca abarca todas as outras sabedorias.
Ensinamentos orais em retiros e palestras com mestres do budismo.
Este post é a tese. Leituras críticas e sínteses derivadas podem ampliar sua maturidade.