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Artigo Publicado Naturalista REA

[Resumo] Agenda 2030: Saúde e Sistemas Alimentares em Temos de Sindemia, da vulnerabilização à transformação necessária

Artigo com foco em apresentar o conceito de pandemia e expressar as ideias de burigo e porto

Este material é um resumo do artigo de Burigo e Porto que consta no título que aborda o conceito de sindemia.

O Conceito de sindemia contextualiza a pandemia de Covid-19 em relação com a pobreza e com a injustiça social, mas também revela a sinergia com outras pandemias relacionadas ao avanço do sistema alimentar global: de desnutrição, de obesidade e das mudanças climáticas, as quais possuem forte influência do modelo dominante de agricultura.

Thiago Santos da Silva • Santa Maria - RS • Naturalista • 22/02/2022
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Objetivo educacional

Apresentar o conceito de pandemia e expressar as ideias de Burigo e Porto

Conteúdo

Conceito de Sindemia:

O conceito de  sindemia foi uma contribuição dos anos 1990 pelo epidemiologista Merrill Singer. 

Sindemia significa que a doença infecciosa não pode ser encarada isoladamente. Ela se entrelaça com fatores sociais, políticos e econômicos, como desigualdade social, distribuição de riqueza, acesso a bens essenciais, como moradia e saneamento.

Quatro sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis

  1. Sistema alimentar;
  2. Segurança alimentar e nutricional (SAN);
  3. Direito humano à alimentação adequada (DHAA);
  4. Agroecologia.

Os autores apresentam dados que sistematizam estudos sobre as crescentes ameaças decorrentes do modelo dominante de agricultura.

Introdução

Importância estratégica dos sistemas alimentares para a promoção da saúde em diferentes dimensões e escalas, no diálogo com as grandes mudanças que vem acontecendo no mundo.

E releva a importância de sistemas alimentares agroecológicos, considerados sustentáveis e promotores de dietas saudáveis.

O sistema alimentar dominante coloca as pessoas em perigo, por outro lado a saída é a agroecologia.

Agenda 2030: Conexões entre saúde e alimentação em tempos de sindemia.

Em 2015, representantes da ONU reconheceram que a erradicação da pobreza em todas as suas formas é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável - nas dimensões econômicas, social e ambiental.

E concluíram que a sobrevivência de muitas sociedades e dos sistemas biológicos do planeta, está em risco.

“Bilhões de cidadãos continuam a viver na pobreza e a eles é negada uma vida digna,enormes disparidades de oportunidades, riqueza e poder. A desigualdade de gênero,desemprego.Ameaças globais de saúde, desastres naturais mais frequentes e intensos, conflitos em ascensão, o extremismo violento, o terrorismo e as crises humanitárias,ameaçam reverter grande parte do progresso do desenvolvimento dos recursos naturais e os impactos negativos da degradação ambiental, incluindo a desertificação, secas, a degradação dos solos, a escassez de água doce e a perda de biodiversidade acrescentam e exarcebam a lista de desafios que a humanidade enfrenta. A mudança climática é um dos maiores desafios do nosso tempo e seus efeitos negativos minam a capacidade de todos os países de alcançar o desenvolvimento sustentável.” (p. 4412)

A Agenda 2030 está organizada em 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e 169 metas associadas, com forte relação entre si e que devem ser analisadas de forma integrada.

“O atual contexto internacional coloca grandes barreiras para o avanço da Agenda 2030, dado o processo de fortalecimento do neoliberalismo e do neoconservadorismo em várias partes do mundo, que ameaçam os valores da solidariedade.”

Como superar as injustiças sociais, econômicas e ambientais?

A estratégia de implementação dos ODS é de responsabilidade nacional.

O ODS 2: “fome zero e agricultura sustentável”

Os ODS são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Desde 2015 o mundo se comprometeu a acabar com a fome, a insegurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável.

Os dados indicam que não há o que comemorar.

O número de pessoas afetadas pela fome tem aumentado desde 2014, no contexto de uma crise global de múltiplas dimensões: social, ética, econômica, democrática, ecológica e sanitária.

Com a chegada do Covid-19 tudo se agravou.

Existem relações intrínsecas entre o ODS.2 e o ODS.3, que é sobre saúde e bem-estar.

Sindemia = Vulnerabilidade
É mais complexo e amplo do que epidemia e pandemia.

O conceito de sindemia foi criado na década de 90 a partir de trabalhos pioneiros com populações de periferias urbanas, moradores de rua e usuários de drogas.

O conceito de sindemia possui forte convergência com os princípios e bases conceituais da saúde coletiva, incluindo o diálogo com a teoria da determinação social.

As pandemias relacionadas à fome, obesidade e mudanças climáticas foram consideradas uma sindemia global, pois interagem umas com as outras, compartilham de determinantes sócio-ambientais comuns, e exercem uma influência mútua em sua carga de saúde para a sociedade.

A covid-19 deve ser considerada uma nova sindemia que se soma às anteriores, sendo simultaneamente causa e consequência; tornando mais difícil alcançar as metas da agenda 2030.

Sistemas alimentares sustentáveis: conceitos-chave e documentos de referência

Os relatórios oficiais pedem mudanças fundamentais nos sistemas alimentares a fim de torná-los mais saudáveis, sustentáveis e equitativos.

Década de ação pela nutrição (2016-2025) - reconhece a necessidade de erradicar a fome e evitar todas as formas de desnutrição em todo o mundo.

Década da Agricultura Familiar (2019-2028) - servirá como marco para promover melhores políticas públicas para a Agricultura Familiar e oferecer uma oportunidade

Década para a restauração do ecossistema (2021-2030) - que tem como principal objetivo aumentar os esforços para restaurar ecossistemas degradados, criando medidas eficientes para combater a crise climática, alimentar, hídrica e da perda de biodiversidade.

Três conceitos estratégicos:

  1. Ambiente, pessoas insumos, processos, infraestrutura, instituições e organizações da sociedade civil…

    Atividades quase que se interrelacionam na Produção, processamento, distribuição, preparação e consumo de alimentos

    Sistemas agroalimentares seria o nome ideal.
     
  2. Um sistema alimentar saudável (SAS) é aquele que cumpre sua função social, proporciona segurança alimentar e nutricional (SAN) para todas as pessoas, sem comprometer as bases econômicas, sociais e ambientais que geram segurança alimentar e nutricional para as gerações futuras.
     
  3. O terceiro conceito estratégico é o de agroecologia, que tem ganhado reconhecimento global a partir de um conjunto significativo de evidências científicas e empíricas que contribuem para tornar efetivo o direito humano à alimentação adequada.

A importância de sistemas alimentares para a saúde globo e a Agenda 2030

O número de pessoas afetadas por insegurança alimentar grave, a nível mundial, vem aumentando lentamente desde 2014. Atingindo cerca de 750 milhões de pessoas em 2019.

Os relatórios analisados apontam que os sistemas alimentares globais na atualidade são incapazes de oferecer dietas saudáveis.

Estimou-se que mais de três bilhões de pessoas no mundo não possuem recursos para pagar por dietas saudáveis, que custam, em média, cinco vezes mais que as dietas que só atendem as necessidades energéticas por meio de alimentos ricos em amido e pobres em nutrientes.

A perda de biodiversidade é o limite planetário mais impactado pela ação humana, e estima-se que isso poderá prejudicar o progresso em até 80(percent) das metas avaliadas dos ODS relacionadas à pobreza, alimentação, saúde, água, cidades, clima, oceanos e terra.

Isso porque a produção de alimentos pode ser comprometida pela perda de polinizadores naturais, pois 75(percent) dos tipos de culturas alimentares globais contam com a polinização animal, mas os métodos agrícolas intensivos agrotóxicos-dependentes ameaçam extinguir esses tais serviços ecossistêmicos.

A comissão EAT-Lancet defende um pacto de reorganização do sistema alimentar global com o compromisso de avançar para dietas que promovam saúde planetária para quase dez bilhões de pessoas em 2050.

A proposta envolve mais que dobrar o consumo de alimentos saudáveis, como frutas, vegetais, legumes e nozes e uma redução de mais de 50(percent) no consumo global de alimentos menos saudáveis como açúcares e carne vermelha, além de reduzir pela metade o desperdício de alimentos no mundo e conter para que a área destinada à produção de alimentos não avance.

Mas a comissão EAT-Lancet não cita a agroecologia em seus documentos.

O HLPE apresenta 13 princípios da abordagem em agroecologia, entre eles “os 10 elementos da agroecologia”, com uma visão holística que coloca a agroecologia como alternativa central para o futuro do planeta e da humanidade.

Abordagens Agroecológicas

As abordagens agroecológicas favorecem o uso de processos naturais, limitam o uso de insumos adquiridos, promovem ciclos fechados com externalidades negativas mínimas e enfatizam a importância do conhecimento local e processos participativos que desenvolvem conhecimentos e práticas através da experiência, bem como métodos científicos mais convencionais, e enfrentam  as desigualdades sociais.

As abordagens agroecológicas reconhecem que os sistemas agroalimentares são sistemas sociais e ecológicos combinados que vão da produção ao consumo de alimentos e envolvem a participação da ciência, da prática e de um movimento social, bem como sua integração holística, para abordar a segurança alimentar e a nutrição. 

Os autores destacam duas necessidades fundamentais para as mudanças almejadas:

  1. Defender e fortalecer a integridade da pesquisa científica como um bem público, livre de conflitos de interesses com setores econômicos interessados em manter suas taxas de lucro a despeito dos impactos sociais, ambientais e sanitários.

     
  2. É necessário enfrentar as desigualdades de poder dentro dos sistemas alimentares em todos os níveis e diferentes dimensões, o que inclui proteger países e grupos populacionais vulneráveis a práticas exploratórias e predatórias de empresas de alimentos e bebidas.

Para tanto, deve-se mobilizar e garantir sobretudo o protagonismo de mulheres, jovens, consumidores, entre outros.

Para saber mais: Grandes granjas, grandes gripes

No livro “Grandes granjas, grandes gripes”, Rob Wallace, epidemiologista especialista em agroecologia, descreve como são processados os animais consumidos por humanos e como isso facilita o surgimento de novas modalidades de vírus. O capitalismo transformou a natureza em laboratório, onde são aplicados todos os tipos de procedimentos para forçar o aumento da produção e do monopólio sobre os bens naturais, como é o caso dos transgênicos e das sementes “suicidas”, aquelas que o agricultor não consegue reproduzir e se vê obrigado a adquiri-las das gigantes dos venenos agrícolas, como a Monsanto.

Referências

Sobre Sindemia: https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/brasil/68181/frei-betto-crise-do-coronavirus-nao-e-uma-pandemia-mas-uma-sindemia

Texto lido:

BURIGO, A. C.; PORTO, M. F.. Agenda 2030, saúde e sistemas alimentares em tempos de sindemia: da vulnerabilização à transformação necessária. Ciência & Saúde Coletiva, v.  26, n. 10, p. 4411-4424, 2021.Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/p36TMkBKMZqnkxD7WXcfbxx/?format=pdf⟪=pt. 

Continuidade dialética
Como este conhecimento evolui:
Tese Antítese Síntese

Este post é a tese. Leituras críticas e sínteses derivadas podem ampliar sua maturidade.


Antíteses desta tese

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Metadados do recurso
Tipo de documento: Recurso Educacional
Formato: Textual
Requisitos técnicos:
Querer saber sobre o futuro da humanidade
Status: Publicado
Score: 80
Maturidade: REA
Apoio de IA: Não