Reflexões sobre educação e aprendizagem
O sistema de ensino do MEC funciona desde 1929 baseado na grade curricular, infelizmente o termo “grade curricular” nos remete a algo encarcerado. Dentro desta grade o estudante aprende tudo o que lhe é necessário para saber acerca do mundo em que vive, como ele existe e como viver nele de acordo com o MEC. O sistema tradicional de ensino é baseado no conceito de Q.I e em consequência no estímulo-resposta: transferir conhecimentos e se certificar de que os estudantes aprenderam por meio de provas e testes. Assim avançam no currículo escolar.
Mudar o paradigma de aprendizado para uma geração que nasceu na fase alfa da tecnologia com vídeo games, computadores, celulares, tablets e outras infinidades de aparelhos tecnológicos não é uma tarefa simples, porque poucos jogos estimulam um jovem a florescer nas inteligências de uma maneira geral. Os jogos, com exceções são desenvolvidos para estimular o interesse dos jovens em jogar, o que pode ser traduzido como um “flow” no dispositivo. Algo que dê continuidade na utilização do produto. Esse mesmo “flow” é a base dos aplicativos mais utilizados: instagram, facebook. Te manter em movimento ali dentro.
Abandonar as novas tecnologias não significa ter controle sobre elas, talvez o que precisamos seja entender o significado da tecnologia em nossas vidas e qual a melhor utilidade dela.
Estruturar um pensamento acerca do mundo e das coisas é a produção mais próxima da ação humana que envolve a lógica. Pois é com a lógica que estruturamos um pensamento e nos leva a uma conclusão. Inclusive é sempre indicado estruturar seus projetos num papel antes de colocá-los em prática.
Nesse caminho até um lápis, que é considerado uma tecnologia simples, pode nos auxiliar a organizar os pensamentos. As novas tecnologias devem nos motivar a olhar para nossa própria vida e para onde estamos realmente caminhando como indivíduo.
Com o avanço da humanidade criamos computadores e logo depois a internet. Incrível como o computador pode ser um meio de produção para organizar uma informação ou uma ideia e a internet como o meio de divulgar este artigo, mas também como um meio para interagir com outros internautas.
Por exemplo, algo simples e básico como ler um livro pode mover montanhas na medida em que o leitor se aprofunda no texto selecionando parágrafos e frases do autor e indicando a página de leitura. Fichamentos são a catalogação dos escritos de um autor indicando a página em que estão escritas no livro e pode ser interessante a alguém que não tem o livro ou simplesmente não tem disposição para ler todo o material. Este fichamento mostra de maneira fragmentada o pensamento de um autor. Que significa uma escrita fidedigna das palavras no livro, o qual compartilhada em uma Rede de Aprendizagem é um fator que desencadeia ideias e pensamentos sobre o assunto abordado.
Qualquer interessado pode baixar gratuitamente o arquivo e ler. O que acontece neste intervalo do estudo e produção é ampliar o valor da aprendizagem de alguém quando se estimula a curiosidade de outros. É um caminho que pode ser percorrido por terceiros, mas somente se for compartilhado como Recurso Educacional Aberto. E em decorrência do processo dialético de aprendizagem, um material textual pode gerar outro, o que gera um aprofundamento na questão abordada.
São tantas possibilidades a partir do conceito de Recursos Educacionais Abertos que a “grade curricular” do MEC se apresenta obsoleta mediante o novo paradigma.
Podemos pensar a questão do MEC e dos Recursos Educacionais Abertos como duas estruturas diferentes que levam a finalidades diferentes. O conceito de “grade curricular” como dito anteriormente nos leva como sociedade para o mantimento das coisas como sempre foram, o dito Status Quo. E o conceito de REA, Recursos Educacionais Abertos, nos leva ao conceito de aprendizagem livre, gratuita e acessível a todos. O resultado final da continuidade e estímulo deste novo conceito é ainda desconhecida, mas sabe-se que promove maiores relações de acordo com os temas de interesse em comum, e como dito anteriormente, estimula as pessoas a enxergarem os limites do conhecimento e da humanidade.
Há uma diferença significativa entre informação e conhecimento. A informação está relacionada a informar fatos ou até conhecimentos, porém não é o conhecimento propriamente dito. E conhecimento é fundamentado na ciência, no que outros autores disseram e escreveram, sintetizaram seu conhecimento através de artigos.
Isto significa que a leitura de livros, de artigos inicialmente nos dá uma concepção de mundo de acordo com o pensamento dos autores. Digo inicialmente, pois a leitura de diferentes autores sobre um determinado tema nos permite uma visualização mais detalhada da problemática e dessa forma, de uma maneira de explicar bem reduzida, foi que autores do passado teceram os conhecimentos sobre a realidade até este momento.
Repito: A Rede de Aprendizagem crieatividade.org é fundamentada na construção do conhecimento, estimular o processo de ensino e aprendizagem baseado na ciência, citando outros autores, e as fontes de informação. Um material produzido no crieatividade.org tem suas fontes citadas para que os leitores compreendam qual a sua linha de raciocínio, com base nos autores que fundamentam o material é possível interpretar a corrente de pensamento no qual o escritor se fundamenta.
Além da tecnologia que está inserida no nosso cotidiano, as presentes Redes Sociais não foram estruturadas para o compartilhamento de conhecimentos, embora elas façam a função de compartilhamento de informações, não são estruturadas para compartilhar conhecimento.
A Rede de Aprendizagem é um espaço virtual destinado à cooperação em prol da criação, adaptação e uso dos recursos disponíveis para o favorecimento dos próprios usuários.
Este post é a tese. Leituras críticas e sínteses derivadas podem ampliar sua maturidade.