Compartilhar com o coletivo a apresentação que produzimos sobre o conceito de Racionalidade em sua amplitude.
Nesta leitura quatro textos serão abordados conforme a bibliografia:
Uma introdução
Texto 1: Razão, racionalidade, decisão racional: O que a filosofia da ação tem a dizer para a economia?
Texto 2: Você é Racional?
Texto 3: A racionalidade limitada de Herbert Simon na microeconomia
Texto 4: Escolhas de Consumo
Uma introdução
A palavra racional deriva de ratio: Razão, razoável, raciocínio.
A racionalidade é uma das categorias essenciais do pensamento econômico.
O pensamento racional é reflexivo, sequencial e lento.
É um atributo somente humano, permite retirar a intuição do controle.
Envolve a decisão das pessoas em consumir, trabalhar, poupar ou estudar.
Nas empresas em produzir, investir e contratar.
No governo em programas sociais ou infraestrutura.
Cada um de nós sempre está escolhendo o melhor para si, considerando as informações disponíveis e conforme nossas preferências ou gostos.
A racionalidade econômica trata da hipótese de que as pessoas, em geral, norteiam suas escolhas de modo que essas lhes proporcionem o maior grau de felicidade possível, usando para isso o melhor conjunto de informações possíveis. Mesmo que o conjunto de informações utilizado para tais escolhas não seja completo.
Dentre as lições importantes da racionalidade econômica:
- As intervenções do governo na sociedade não devem, em geral, se pautar pela preocupação de “escolher o melhor para os cidadãos”, devem se pautar pelo objetivo de que as pessoas tenham oportunidades de escolher o que elas preferem;
- O governo deve interferir na sociedade apenas quando as ações de um têm impacto sobre os outros, caso contrário, não há motivo para a intervenção.
A racionalidade se divide em duas escolas:
Neoclássico (1870)
- Individualismo metodológico;
- Os indivíduos são vistos isoladamente em suas escolhas;
- O agente econômico é interessado no seu próprio bem estar;
- Saber usar os meios adequados para atingir um determinado fim;
- Diz respeito ao modo de como as escolhas são feitas.
Heterodoxo
- Visa entender o comportamento do agente econômico relacionando fatores ambientais;
- O indivíduo tem limitações cognitivas;
- Se divide em duas linhas:
- Limitada;
- Institucionalista.
O Modelo Neoclássico
É baseado na mecânica Newtoniana do século XVII;
Sistemas econômicos são mecanismos determinados autorregulados;
Existem dois axiomas para as preferências:
- Axioma da Completeza
Neste o consumidor pode fazer comparações e avaliar de forma clara as alternativas de escolha;
O consumidor conhece todas as cestas de bens e sempre é capaz de comparar de modo claro.
2. O axioma de Transitividade
Há um sentido único de preferência:
X> Y, Y >Z, logo X > Z
Mais é melhor: se acrescentar bens na cesta sua satisfação aumenta.
Economia Comportamental
Um modelo flexibilizado da versão neoclássica.
Analisa a influência de fatores cognitivos, emocionais, culturais, sociais e psicológicos nas decisões econômicas das pessoas.
Heterodoxa Limitada
Derivada de Herbert Simon, é uma alternativa à racionalidade substantiva neoclássica.
Um conjunto de informações, conhecimentos e hábitos à disposição do indivíduo. Esse conjunto forma a base lógica que permite o indivíduo tomar decisões, agir e realizar estratégias.
Mesmo querendo ser maximizador está sujeito a cometer erros. Por isso não busca ser cem por cento, mas o melhor possível: o “satisfatório”.
O processo de escolha envolve:
a) A revisão do problema que pode ter diferentes dimensões ou causas;
b) A decomposição de problemas e de alternativas;
c) A possível revisão de estratégias ou processos de escolhas, visto que as decisões podem mudar com o tempo.
Vertente Institucionalista
Nessa concepção o indivíduo é um ser social, criativo, criador e seguidor de comportamentos, regras e hábitos.
O entendimento de que as decisões e o comportamento do indivíduo deve levar em conta contextos sociais, culturais, psicológicos e comportamentais.
- Não segue o individualismo metodológico;
- Não supõe o axioma do autointeresse.
- O todo social é mais do que a soma das partes e a sociedade é mais que a mera agregação de indivíduos autônomos.
As sociedades têm coerência, ordem e estruturas.
- O tecido social influencia as condições de comportamento ou funcionamento de suas partes;
- As regras sociais são importantes para as decisões dos indivíduos;
- Os individuos são educados para aceitar as normas impostas.
- A estrutura do sistema econômico e social determina em parte o comportamento dos indivíduos socializados e imersos em instituições;
- A estrutura pode modelar o comportamento dos agentes (Pierre Bourdieu);
- O sistema econômico, social e cultural pode condicionar os agentes.
As decisões dos indivíduos podem estar relacionadas a comportamentos de referência (eleições 2018);
Pensando que os outros são mais bem informados.
Texto 1: Razão, racionalidade, decisão racional: O que a filosofia da ação tem a dizer para a economia?
Brena Paula Magno Fernandez (UFSC)
Resumo: A filosofia da ação analisa o papel da racionalidade na economia tradicional. Problematizar o papel normativo exercido pela racionalidade na filosofia da ação.
Introdução:
O que é a filosofia da ação?
A filosofia da ação se estabelece em virtude do fato de que uma das categorias essenciais subjacentes ao pensamento econômico ser o conceito da racionalidade.
A caracterização do conceito de racionalidade é uma questão central para a filosofia da ação.
Problemas que a filosofia da ação se propõe a tratar:
i) O problema da natureza da ação, que consiste em investigar o que faz com que um determinado tipo de evento possa ser legitimamente considerado como uma ação ( o que é uma não-ação?)
ii) O problema da individuação de ações/eventos (o que são ações e o que são eventos?)
iii) O problema da explicação da ação.
Filósofos ANSCOMBE (1957) e DAVIDSON (1980) para solucionar estas questões.
O que é ser racional no âmbito da ação?
As ações dos seres humanos são únicas por conta da noção-chave de intencionalidade
O Prêmio Nobel Richard Thaler, que une conceitos de psicologia e economia reforça a importância da pesquisa em economia comportamental.
O que é economia comportamental?
A economia supôs por muito tempo que o ser humano tomava decisões de forma racional, sempre pesando os prós e contras de cada possibilidade até perceber qual decisão maximizaria os seus ganhos.
Nos anos 70, Daniel Kahneman descobriu que a racionalidade das decisões humanas é restringida por muitos fatores. Um deles é a ‘aversão a perdas’ porque as perdas tendem a ser mais impactantes psicologicamente do que ganhos.
Você prefere 200 reais agora ou 220 reais daqui dois meses?
Noutra situação: Ganhar 100 reais daqui 1 ano ou 120 reais daqui 14 meses?
As pessoas tendem a valorizar mais ganhos no presente do que ganhos no futuro, mesmo que os ganhos no futuro sejam maiores.
Na prática, as pessoas podem demonstrar uma preferência por recompensas menores e imediatas do que recompensas maiores no futuro.
Nudge = É uma mudança provocada em um ambiente com o objetivo de influenciar o comportamento das pessoas que passarem por ele numa direção que é desejada. (ex: mosca no mictório ou lanches saudáveis visíveis).
Por que agimos como agimos?
Duas abordagens com propósitos distintos: Normativa e a positiva.
Como premissa é importante dizer:
Para a filosofia da ação, racionalidade é a característica de qualquer decisão para agir que faz da sua escolha uma necessidade.
Então há um conceito normativo sobre o raciocínio.
“Agentes racionais devem tirar conclusões consistentes sobre qual curso de ação tomar, dadas as suas crenças, os seus desejos, os seus objetivos, e o leque de informações que se encontra à sua disposição. Refere-se, portanto, à conformidade das ações com as melhores razões para o agir.” (FERNANDEZ, 2017, p. 33)
A abordagem normativa se preocupa mais com a forma que as pessoas deveriam raciocinar do que com a forma que efetivamente raciocinam para agir baseado nas seguintes categorias:
- Lógica;
- A teoria das probablidades;
- Teoria da decisão.
Elas se dedicam a determinar os melhores padrões de correção a partir dos quais a qualidade do raciocínio humano pode ser ajuizado.
Racionalidade: a abordagem normativa da teoria da decisão
O pensamento analítico é o pensamento cartesiano; pois fomos ensinados a separar os fenômenos, problemas e assuntos em partes para melhor conhecer cada parte individualmente.
A Lógica (clássica) gerou a teoria das probabilidades e esta última gerou a teoria da decisão.
Lógica Clássica - Século IV a.C.
Teoria das Probabilidades - Séc. XVII
Teoria da Decisão - Séc. XX
A mais simples, sofisticada e completa teoria da racionalidade.
De modo geral, decidir sempre significa fazer uma escolha, optar por uma ação entre um menu de ações possíveis em cada situação.
A teoria da decisão é uma perspectiva dominante da filosofia da ação. “[...] Ela não é uma teoria positiva, porque não diz nada sobre a medida em que as pessoas são racionais.”
Definir o que é a preferência e a escolha racional é dizer como se deve racionalmente preferir e escolher.
Para Robert Nozick (1993:41) “A teoria da ação racional é matemática precisa, poderosa e tratável.
O termo teoria da decisão racional engloba:
- Teoria da Utilidade
- Teoria da Utilidade Esperada
- Teoria da Escolha do Consumidor
É uma função escolha sobre um espaço de escolha.
[p. 36] - “A teoria da decisão racional ou da utilidade esperada baseia-se em uma concepção de comportamento humano que envolve uma série de pressupostos;
Os agentes dispõem de uma estrutura determinada e ordenada de preferências (que representam seus desejos);
Essas preferências são:
- Completas (o agente prefere X a Y ou Y a X ou é indiferente) e;
- Transitiva ( se o agente prefere X a Y e Y a Z, então preferirá X a Z);
- Exógenas (formadas fora do âmbito da decisão) e;
- Independentes.
Há diferentes utilidades nos resultados e por isso se pondera diante das probabilidades do resultado ser alcançado.
Como o agente deve escolher qual decisão toma?
- Através da regra da utilidade esperada!
- O agente atribui um valor ponderado para cada opção que consiste na soma das utilidades esperadas para cada um de seus resultados. E escolhe o curso de ação que lhe atribua a maior utilidade esperada.
“A vantagem da regra da maximização da utilidade esperada é que ela conduz ao maior ganho possível quando aplicada a um grande número de situações de escolha ao longo do tempo.”
Importante relevar um problema: Insensibilidade aos riscos.
RISCO = Refere-se a situações em que o tomador de decisão julga saber com certeza as probabilidades matemática dos possíveis resultados.
INCERTEZA = Refere-se a situações em que as probabilidades de resultados diferentes não podem ser expressas com precisão matemática.
Segundo a teoria da decisão racional e a teoria da maximização da utilidade esperada, todas as situações de incerteza podem ser reduzidas a situações de risco -> Assumindo a probabilidade de 0,5.
O raciocínio humano é uma atividade que consome recursos e uma atividade que envolve custos para o agente (ambientais, psicológicos e cognitivos).
Não dispõem de informação completa, tempo ou meios cognitivos necessários.
Racionalidade: A abordagem positiva da teoria da utilidade esperada
Tese de Friedman: Metodologia da Economia Positiva (1953)
[p. 41] - “A defesa da racionalidade substantiva com base na proposição de que os economistas não deveriam preocupar-se em adotar pressupostos realistas. Isto porque o objetivo da ciência não é e nem pode ser encontrar pressupostos realistas para uma teoria, mas sim buscar aproximações simplificadas e idealizadas que proporcionem predições suficientemente ajustadas.”
Se a predição de uma teoria é válida, é como se seus pressupostos fossem verdadeiros.
[p. 41] - “Os pressupostos científicos consistem de simplificações da realidade. O que está em jogo e o que vale são as previsões que as teorias são capazes de fazer.
Milton Friedman diz que a economia positiva é ou pode vir a ser uma ciência objetiva com a tarefa de provar um sistema de generalizações passível de ser utilizado para fazer previsões corretas acerca das consequências de qualquer alteração das circunstâncias. (FRIEDMAN 1953:43)
Nesse caminho os pressupostos não precisam ser necessariamente realistas
Friedman alegou, com a hipótese do as if, de que as preferências individuais não eram observáveis e que seriam irrelevantes para prova da validade de uma teoria econômica.
Análise dos termos:
A escolha é o resultado de uma atividade de computação racional, a teoria da decisão racional prescreve para os agentes econômicos a melhor maneira de alcançar seus objetivos.
A teoria busca demonstrar como os agentes econômicos se comportam de fato: Maximizando seus resultados esperados. Sob este prisma, os aspectos psicológicos são inúteis na investigação da tomada de decisão, pois, “no máximo, ajudam a explicar os motivos pelos quais certos indivíduos são incapazes de se comportar de uma forma totalmente racional - O que os levaria a serem excluídos do mercado.
O mainstream da economia durante muito tempo representava não o “dever ser”, mas po “é” do comportamento humano.
Racionalidade: A abordagem positiva (descritiva) da teoria das perspectivas.
[p. 44] - “A abordagem positiva é diferente da abordagem normativa, é perseguida por psicólogos e neurocientistas cognitivos. E tem como objetivo caracterizar como as pessoas realmente são no tocante à racionalidade.
A atribuição de razões às ações desempenha um papel fundamental na previsão do comportamento dos agentes:
“Ao conhecer a intenção prévia de um agente de levar a cabo uma dada ação, poderemos prever com alguma precisão o seu comportamento.”
A economia comportamental busca desvendar os mecanismos cognitivos e os processos psicológicos.
As pesquisas de Daniel Kahneman e Tversky demonstram que os sujeitos humanos não possuem a competência racional subjacente para lidar com uma vasta gama de tarefas de raciocínio. Para resolverem seus problemas de tomada de decisão os sujeitos simplificam a complexidade envolvida no processo de tomada de decisões.
A teoria dos prospectos fala sobre as regras intuitivas simples: as heurísticas. E sobre padrões contra normativos e preconceituosos: os vieses.
A partir destas descobertas se elaborou uma teoria da racionalidade com propósitos descritivos, cuja abordagem é positiva.
O artigo propõe a problematizar o papel normativo exercido pela racionalidade na filosofia da ação e contrapõe com o papel positivo exercido na economia.
Os teóricos da teoria das perspectivas categorizaram inconsistências com o pressuposto da racionalidade:
- Efeito framing (enquadramento): quando os agentes fazem escolhas ou tomam decisões diferentes quando o mesmo problema é apresentado de maneiras distintas;
- Preferências não-lineares: quando as pessoas fazem escolhas que não batem com as hipóteses tradicionais sobre suas funções de preferência:
Se a é preferível a b e b a c, então a necessariamente é preferível a c.
Então quando as pessoas escolhem C, eles não se comportam de acordo com aquilo que prevê a racionalidade econômica;
- Aversão ao risco e a procura pelo risco:
Ex: quando aceitam propostas injustas para evitar o risco, tipo no seguro de vida. E propostas injustas que aumentam o risco, tipo jogando em caça níqueis.
- Fonte: As pessoas podem pagar mais só pela maneira como ele é embalado (Design), mesmo se o produto for idêntico.
- Aversão à perda: A perda causa um efeito mais negativo do que o efeito positivo causado pelo ganho do mesmo valor.
A heurística, regras intuitivas, faz as pessoas fazerem uma escolha pela semelhança com uma outra.
Multiplica-se o valor por uma probabilidade.
[p. 44] - “Kahneman e Tversky sugerem que, para compreender uma decisão, os processos cognitivos que estão em sua base devem ser cuidadosamente analisados.” É necessário entender como as pessoas representam problemas.
Com o enfraquecimento da abordagem de Friedman, as características cognitivas dos processos de escolha voltam a alcançar posição central.
Reconectar economia e psicologia com o intermédio da filosofia da ação.
Texto 2: Você é Racional?
O autor espera que os leitores não sejam racionais, no sentido tradicional da economia.
A economia neoclássica foi inventada na década de 1870 e se baseou na mecânica Newtoniana do século XVII, concebia os sistemas econômicos como mecanismos determinados autorregulados.
Kenneth Arrow identifica dois aspectos da noção de equilíbrio geral da economia:
- A noção simples de determinidade;
- A noção de que cada relação representa um equilíbrio de forças, qualquer violação colocaria em movimento forças que tendem a restaurar o equilíbrio.
A Hipótese de Equilíbrio
Duas características:
- É um artigo de fé e não de pesquisa científica (ARROW)
- Segundo a descrição de Arrow, é uma metafísica holística, não individualista. Fala sobre os sistemas econômicos e não sobre os agentes econômicos.
Os crentes neoclássicos tentam mostrar que sua crença é logicamente possível. Isso é o centro das atenções no curso de microeconomia. E geralmente assume a forma de modelos matemáticos que exigem uma longa lista de estipulações sobre os microelementos.
A hipótese de equilíbrio requer uma hipótese subsidiária postulando como força motriz o comportamento de agentes econômicos individuais. Ou seja:
A hipótese do comportamento individual
Para os economistas neoclássicos, são os agentes agindo individualmente que resultam em determinados valores de equilíbrio para os mercados.
Mas só é possível se o comportamento dos consumidores imaginários estiver no centro.
E são essas propriedades e a classe de comportamento que a tradição neoclássica chama de “racionalidade” e “comportamento econômico racional”.
O comportamento inconsistente com seus sistemas de crença são chamados de “irracional”.
Na sala de aula a economia neoclássica [...] “oculta de você o fato de que esses modelos foram construídos não pela investigação do comportamento de agentes individuais, mas sim pela análise dos requisitos lógicos para alcançar um determinado agregado ou estado global, ou seja, um mercado ou equilíbrio geral.
Rees diz que não é o comportamento dos agentes individuais que determina a estrutura geral do modelo, mas é o requisito global para uma estrutura particular que dita o comportamento atribuído aos agentes individuais.
Fullbrook apresenta três axiomas sobre situações de escolha do consumidor comuns, cotidianas e de vida real. (O terceiro raramente é mencionado nos cursos)
- Axioma da Transitividade:
Se um consumidor considera um bem X como preferido ou indiferente a Y, e Y como preferido ou indiferente a Z, então o consumidor considera X como preferido ou indiferente a Z.
- Axioma da Integridade:
O consumidor é capaz de expressar uma preferência ou indiferença entre qualquer par de cestas de consumo, por mais parecidos ou diferentes que sejam. Isso garante que não haja “buracos” na ordem de preferência, pontos ou áreas aos quais não se aplica. (GRAVELLE e REES 1981) Em síntese: o consumidor apenas compara os pacotes possíveis até o limite de seus poderes cognitivos.
- Axioma da Independência
Este axioma oculto diz respeito à relação entre o um e os muitos. John Hicks diz que “a economia não está muito interessada no comportamento de indivíduos isolados. A preocupação é com o comportamento dos grupos. Um estudo da demanda individual é apenas um meio para estudar a demanda do mercado.” (HICKS, 1946)
“Em vez de tomar a função de demanda de mercado como um conceito primitivo, a economia tradicionalista deriva a demanda de mercado explicitamente do que seus axiomas presumem ser o comportamento de demanda individual. A derivação consiste em um somatório das programações de demanda individuais (para o mesmo produto). Mas essas somas são logicamente possíveis apenas se as funções de demanda dos vários indivíduos forem independentes umas das outras.”
O co-inventor da teoria dos jogos apoia esta ideia.
As funções de demanda de mercado neoclássicas tradicionais assumem a ausência de interdependência entre os comportamentos dos agentes individuais. Este é o axioma da independência.
Ex: Existem modelos que mostram as preferências de um agente individual influenciado pelo comportamento de outros agentes. Esses esforços permanecem no nível de afirmações sobre o comportamento de indivíduos individuais reagindo a outros, e não sobre o comportamento de grupos.
Pessoas reais no mundo real: Racionalidade no mundo real
8 tipos de situações de consumo e avaliar o conceito de “racionalidade” ou se seria melhor chamar de “irracionalidade neoclassica”.
- Situações de Double-bind
Os conceitos de racionalidade (decisão de ação racional) são aplicados em contextos socioeconômicos.
A palavra “racional” e seu antônimo fazem parte da moeda comum e emotiva da política social.
Autores da constituição dos Estados Unidos definiram um escravo importado da África com três quintos de uma pessoa e a justificativa para a subjugação das mulheres é de que elas “não são seres totalmente racionais”.
Indivíduos atribuídos a categorias de pessoalidade sub, parcial ou inferior devem ser desencorajados de comportamento subversivo, isto é, de manifestar mais do que aquele grau de “racionalidade” compatível com aquele atribuído ao seu grupo social.
Por exemplo: os códigos de escravos na América do Sul tornavam a leitura de Afro-americanos um crime.
O destino dessas pessoas (1890-1960) era de despejo, agressão, tortura e em mais de 3000 ocasiões com linchamento.
A sociedade patriarcal punia mulheres que não se submetiam à “racionalidade” do sexo oposto. Essa é a dialética da alteridade.
O autor apresenta uma situação no qual os fatos fenomenológicos que cercam a escolha estão entrelaçados com “racionalidade” como um conceito normativo socialmente operativo.
Ele apresentou como grupo A ou B e troquei por Branco, negro ou Errado/subversivo para entender melhor e nesse caso nergos recorriam a grupos intelectuais para serem aceitos por brancos.
É o neoclassicalismo etnocêntrico: Então “a racionalidade pode ter um caráter subjetivo específico que depende da situação socioeconômica do indivíduo e que o compromete a um comportamento de decisão interdependente, intransitivo ou incompleto.
Sem entender o ponto de vista do indivíduo não podemos saber o que é um comportamento racional para eles.
- Ser Social
É a mais difundida das classes de comportamento razoável. Excluída das análises neoclássicas são as escolhas do consumidor feitas em relação ao seu ser social.
Ser um ser social significa ter consideração ora positiva, ora negativa, do comportamento, da opinião e do companheirismo dos outros.
A racionalidade neoclássica diz: as demandas dos indivíduos são independentes umas das outras.
Também infere isso por meio de sua condição de transitividade porque a consideração pelo ser social significa que mudanças nas normas de seus grupos de referência levam a escolhas intransitivas.
Às vezes os consumidores baseiam suas escolhas em consideração com escolhas de outras pessoas. Isso porque talvez querem ser reconhecidas pelos outros. É o desejo por identidade social.
Esse desejo por identidade social pode se traduzir por desejos de consumo. Porque as mercadorias têm propriedades não-materiais. (e materiais também).
Os bens carregam significados, feixe de significados socioculturais que mudam com a estação e o contexto social.
Então nesse âmbito a escolha racional é quando os selecionadores dão peso aos caleidoscópios de significados intersubjetivos, específicos do contexto e baseados no mercado.
Estar vestido na moda, parecer contratável, respeitável, jovem, etc. Requer dar peso aos padrões de consumo atuais. Para a maioria das pessoas, curtir uma noite fora significa patrocinar negócios onde outras pessoas estão aproveitando noite afora.
Essas formas de imitação e interdependência entram nos processos de decisão dos consumidores modernos e pós-modernos de modo que se esses comportamentos não foram racional, então não existem consumidores racionais.
- Imitação recíproca
John Maynard Keynes observou que o mercado de ações são “uma sociedade de indivíduos, cada um dos quais se esforçando para copiar os outros”. Entendi que a imitação leva a um equilíbrio, ação que inicia nos influenciadores e abre um novo paradigma.
- Bens auto-referenciais
O papel-moeda é intrinsecamente sem valor. Mas todos acreditam no seu valor para troca de mercadorias. “Quando o dinheiro assume a forma de papel-moeda inconversível e de depósitos bancários, ele existe como símbolo puro, destituído de valor intrínseco, um caso puro de bem autorreferencial. Mas como qualquer bem autorreferencial, as demandas individuais por ele são fundamentalmente interdependentes.
- Espontaneidade
A racionalidade neoclássica é fruto de tempos austeros. Ser espontâneo e não “tentar” ser espontâneo. Portanto, à luz do paradigma neoclássico, as decisões de consumo espontâneas e de quem as toma são irracionais.
A existência de diferenças culturais entre as “raças” em relação ao valor atribuído à espontaneidade, significa que o conceito neoclássico de racionalidade; irracionalidade não é uma construção racialmente neutra.
- Aventura
A racionalidade neoclássica assume que as decisões são feitas com base no conhecimento perfeito dos resultados futuros (ou alguma aproximação). A aventura, no entanto, depende da ignorância. A aventura é impossível quando se tem conhecimento perfeito dos resultados.
A aventura é a indeterminação dos resultados.
- Livre escolha
A racionalidade neoclássica funciona como um sistema lógico que elimina a livre escolha do seu espaço conceitual.
A racionalidade requer, diz Kenneth Arrow, que as ‘escolhas do agente estejam em conformidade com uma ordem ou escala de preferências.
Presume-se que o indivíduo escolha entre as alternativas disponíveis aquela que é a mais alta em sua classificação.
Se a vida humana é um processo de desenvolvimento, então, por definição, não se pode saber quais serão seus pontos de vista em relação a situações de escolha futura.
Quando as pessoas escolhem um “estilo de vida”, as escolhas de mercado determinam as preferências.
- Gosto pela mudança
O gosto pela mudança (Caroline Foley) é algo difundido na motivação da escolha do consumidor e, onde as circunstâncias materiais permitem, um humano universal (1893).
Se um consumidor tem gosto pela mudança, alguma intransitividade de escolha é uma condição necessária para sua gratificação.
Em nosso tempo, vastas indústrias-turismo, cinema, televisão, música pop e publicação - prosperam atendendo diretamente ao que Caroline Foley (1893) chamou de “a lei da variedade nos desejos”.
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São essas as oito categorias de decisões de consumo aceitas como racionais pela sociedade contemporânea, mas que violam um ou mais dos axiomas da racionalidade neoclássica.
Conclusão
A teoria que não se envolve com a prática está fadada ao fracasso.
A lógica da escolha econômica é mais estudada pelas profissões de marketing.
No entanto, a economia neoclássica insiste em rotular-nos e nossas escolhas de consumo como irracionais.
“Este capítulo identificou oito categorias de comportamento de tomada de decisão que a racionalidade neoclássica considera irracional, mas que qualquer pessoa de bom senso e boa vontade consideraria razoáveis. Em conjunto essas categorias já são dominantes nas decisões que os consumidores, especialmente os jovens, tomam nas economias avançadas.
Texto 3: A racionalidade limitada de Herbert Simon na microeconomia
Como a economia define o comportamento do indivíduo?
O artigo analisa a racionalidade limitada de Herbert Simon e seus desdobramentos na economia, aplicações e limites como uma alternativa à teoria neoclássica do comportamento maximizador.
Introdução
Racionalidade dos agentes econômicos na microeconomia e com aplicação noutras áreas.
O problema metodológico básico é: como os indivíduos se comportam na teoria/modelo a ser considerado.
Herbert Simon foi um economista estaduniense, ganhou o prêmio Nobel em 1978 e no campo da teoria organizacional tinha como principal preocupação o real comportamento do ser humano junto às organizações.
O desenvolvimento dos conceitos é apresentado cronologicamente, respeitando a evolução das ideias no campo da economia.
Discussão sobre o comportamento do indivíduo na microeconomia, apresentando outras teorias concorrentes à racionalidade substantiva.
Novos conceitos sobre o comportamento humano e a forma como as decisões são tomadas.
[p. 125] - “A racionalidade envolve o conjunto de informações, conhecimentos e hábitos a disposição do indivíduo e que formam a base lógica a qual permitirá ao mesmo tomar decisões, agir e realizar estratégias.
A economia, por meio da tradição neoclássica, procurou modelar matematicamente o comportamento dos indivíduos (consumidores, empresas, investidores, etc).
O homo economicus seria um comportamento padrão, sem falhas ou imperfeições de conhecimento para um agente economico idealizado.
Em 1936 Keynes apresenta a incerteza como elemento básico do comportamento dos agentes no mercado.
Somente nos anos 50 que Herbert Simon apresenta a ideia de racionalidade limitada dos indivíduos como alternativa ao homem econômico. Mesmo com a intenção de ser maximizador, o indivíduo estava sujeito a cometer erros e omissões e naturalmente alcançar resultados ‘satisfatórios’ e não ‘ótimos’.
A racionalidade limitada veio como uma alternativa à racionalidade substantiva neoclássica.
O debate central da racionalidade na economia
O termo de racionalidade é mais abordado na microeconomia e deriva do estudo do comportamento dos indivíduos, seu uso é indispensável para a elaboração de uma base teórica para qualquer paradigma, defende Arrow (1987).
O autor defende que qualquer teoria com fundamentos microeconômicos deve definir de antemão como os agentes econômicos se comportam.
O desenvolvimento do conceito de racionalidade limitada surgiu nos anos 50, com inspiração institucionalista.
Simon definiu o conceito de racionalidade em duas áreas distintas:
- A racionalidade substantiva que apresentava regras de escolha que validavam as previsões do modelo;
- A racionalidade processual que apresentava perspectiva realística e regras de escolha que refletiam a forma do processo de tomada de decisão do indivíduo (LESOURNE et ALLI 2006)
[serve como intro] - O termo “racionalidade” surge na economia nos anos 30 e deriva da “revolução marginal” de 1870. A racionalidade para os economistas clássicos significa preferir mais a menos, escolher a mais alta taxa de retorno, minimizar custos unitários e buscar seu próprio interesse sem consideração explícita para com o bem estar dos outros.
O uso da racionalidade na economia está diretamente ligado à escola neoclássica e. Segundo Simonsen (1998, 373) o postulado deriva da filosofia utilitária de Jeremy Bentham, que inspirou toda a microeconomia neoclássica.
- O consumidor maximiza sua utilidade dentro de suas limitações orçamentárias;
- A empresa maximiza o lucro dentro de seu conjunto de possibilidades de produção;
Arrow (1987, 71) apresenta outra vertente na qual “é notório que cada dia uso do termo “racionalidade” não corresponde à definição do economista de transitividade e complementaridade, que é a maximização de algo”.
Na visão neoclássica o conceito de racionalidade surgiu para fixar a ideia de que os indivíduos tendem a agir de forma maximizadora.
Blaug (1999,315) amplifica apontando a maximização para as vantagens. O termo significa “escolher de acordo com uma ordem de preferências que é completa e transitiva, sujeita à informação perfeita e adquirida a alto custo; onde existe incerteza de resultados futuros, a racionalidade significa a maximização da vantagem de um resultado multiplicada pela probabilidade de sua ocorrência.”
O indivíduo maximiza seu comportamento através da racionalidade, é um dos fundamentos da economia.
[Geonakoplos, 1987] - Autores como Bentham, Jevons, Menger e Walras consideravam a racionalidade como desdobramento da maximização da utilidade. Pareto, Hicks e Samuelson acham que a racionalidade se tornou uma hipótese básica e a maximização da utilidade uma consequência lógica do comportamento racional.
O Modelo Arrow-Debreu
Este modelo foi construído para provar a hipótese de que o sistema econômico tende ao equilíbrio.
[p. 130] - “A racionalidade substantiva “é tomada hoje como algo trivial que faz parte do conjunto de termos básicos da ciência econômica e que não requer qualquer esclarecimento”, pelo contrário, “a partir de conjuntos de axiomas, desenvolveram-se, então, as teorias ditas de escolha racional de um modo estritamente demonstrativo, tal como se faz normalmente em matemática.” (PRADO, 1996, 26)
[p. 130] - “O paradigma neoclássico assume apenas um tipo de indivíduo no seu modelo de escolha, o homem econômico, que é “concebido, antes de tudo, como um ser que resolve os seus problemas de existência no planeta guiado por sua razão” (SANCHEZ e MARCO, 1998, 43)
[p. 132] - “O axioma da ergoticidade, de Samuelson (1968) determina que “o passado determina o futuro”, o que levou os modelos neoclássicos a trabalharem com processos estocásticos, onde “o futuro é meramente uma reflexão estatística do passado”. (DUNN, 2000, 243).
Simon (1976, 144) colocou em xeque o sucesso do modelo da escolha racional ao assumir que a economia neoclássica na verdade tira “grandes conclusões de poucas hipóteses a priori, com pouca verificação empírica”.
A economia ecológica faz parte de uma escola heterodoxa frente à ideia de racionalidade.
A racionalidade limitada, heterodoxa, mostra uma proximidade maior com a natureza humana, que é limitada.
[p. 133] - “o institucionalismo é uma escola que pesquisa o comportamento dos indivíduos com uma ênfase totalmente diferente.”
A Racionalidade Limitada e seu Impacto em Economia
[p. 134] - “Segundo Simon (1980) os institucionalistas foram os pioneiros no estudo do comportamento da firma [...] sobre o processo decisório nas organizações.”
A análise do comportamento econômico no seu ambiente social.
[p. 134] - “São pré-requisitos da teoria econômica institucional: a economia, jurisprudência e ética. David Hume encontrou a unidade dessas três ciências sociais no princípio da escassez e o conflito resultante de interesses, ao contrário de Adam Smith que isolou a economia das outras assumindo a providência divina, abundância mundial e a resultante harmonia dos interesses. A economia institucional volta para David Hume.
Economia neoclássica: Homem econômico que sempre maximiza
Economia institucional: Pesquisa das variáveis sobre a tomada de decisões
(Variáveis políticas e éticas)
O indivíduo não age apenas por seus interesses, sua escolha pode ser involuntária imposta por outro indivíduo ou por ação coletiva.” (COMMONS, 1931, p. 634)
A economia institucional pode explicar o nazismo, a escravidão e toda maldade humana contra seres humanos, animais e meio ambiente.
[p. 135] - “A análise institucional nunca pôde assumir o princípio da racionalidade como verdadeiro, pelo contrário, sempre evidenciou que esse tipo de comportamento era inviável, pois ninguém conseguia se comportar dessa forma na prática, o ambiente econômico institucional era muito mais complexo e sujeito a mais restrições, as quais muitas vezes não exclusivamente econômicas.”
“Frank Knight (1989, p. 77) definiu o descontentamento dos institucionalistas com o postulado da racionalidade. Segundo ele: “nos deparamos com um paradoxo: se alguém se comporta com racionalidade econômica perfeita, não se comporta racionalmente como ser humano.”
Herbert Simon dividiu as tradições neoclássicas e institucionalista, estudou ambas, no entanto foi difícil aceitar de maneira passiva o paradigma neoclássico.
- Seria irracional ou tentar ser perfeitamente racional: esse é o veredicto do bom senso.
Muitos economistas afirmam que o trabalho de Simon não pertence à economia e sim à administração ou psicologia.
[p. 136] - “Nos anos 50 Simon desenvolveu o conceito de racionalidade limitada como: “um instrumento para lidar com as limitadas habilidades humanas de compreensão e cálculo, na presença de complexidade e incerteza”.
O conceito de racionalidade limitada levou a mudar a visão de como os indivíduos se comportam na economia. Isso porque “os seres humanos não são capazes de se comportar como seres racionais descritos nos modelos convencionais da escolha racional (FRANK 246-247)
Os seres humanos, segundo Simon, têm limites de percepção e conhecimento. E suas escolhas podem gerar consequências não pensadas anteriormente.
E assim a racionalidade limitada não é irracionalidade. A racionalidade limitada está baseada na limitação das habilidades cognitivas do ser humano, limites já conhecidos pela psicologia.
[p. 137] - A percepção é uma das bases do conceito de racionalidade limitada, por ser o tema central da ciência cognitiva. O ser humano é incapaz de perceber tudo o que acontece em volta de si. E na racionalidade substantiva o ser humano possuía uma percepção objetiva.
[p. 138] - “Simon avançou com a teoria da racionalidade limitada ao usar o método computacional, responsável pela característica de maior aproximação com a realidade. O advento do computador permitiu o uso de simulações e de métodos mais complexos, além da exploração do conceito de inteligência artificial (SIMON, 1978, p. 2-3)
[p. 138] - “O ser humano é limitado na esfera cognitiva e isto torna complexo o processo de tomada de decisão (NEWELL et alli 1958). A partir de estudos empíricos o autor procurou repassar para a economia uma teoria do comportamento mais próxima do mundo real.
[p. 139] - “O conceito de satisficing diz que: “quando as pessoas não sabem otimizar, elas podem muito bem satisfazer, enconrtar uma boa solução” (SIMON, 1996, 370).
Não procurar o “ótimo”, mas uma opção satisfatória.
Para Simon, o modelo comportamental apresentado considerava não apenas “uma teoria de como as empresas se comportam, mas sim “como elas poderiam se comportar”.
O uso da Racionalidade Limitada em outras escolas heterodoxas
Vertentes como o neoinstitucionalismo, evolucionistas e pós-keynesianos também absorveram a ideia de racionalidade limitada.
Teoria Behaviorista da firma (tradição de Carnegie)
- Aplicação do conceito nos estudos em tomadas de decisão em organizações
[p. 140] - “Conceitos Schumpeterianos foram aplicados à evolução das firmas e adaptação ao ambiente externo.
- Como as firmas tomam decisões?
- Estudar o comportamento (behaviorista)
- Trabalhos de Andrew Carnegie
- Estudar o comportamento (behaviorista)
Isto significa tornar a teoria da firma e a racionalidade limitada como pertencentes do Núcleo Central da teoria evolucionista.
[p. 141] - “Nelson e Winter (1982, 35) destacam a importância do trabalho de Simon:
“Behavioristas pegam sua orientação no trabalho de Herbert Simon, destacando alguns ou todos os elementos seguintes. A racionalidade do homem é limitada: os problemas de decisão de vida real são muito complexos para serem compreendidos e consequentemente as firmas não podem maximizar determinadas alternativas em relação a todas imaginadas.
[p. 141] - “Os autores evolucionistas destacaram apenas alguns princípios behavioristas para sua obra, por conta de algumas semelhanças com a vertente neoclássica. E a teoria evolucionista queria gerar um resultado um pouco diferente do neoclássico.
A inovação da economia é um termo abordado por autores Schumpeterianos/evolucionários. Para Dosi, Orsenigo e Siberberg “as características do conhecimento tecnológico tornam a inovação da economia um fenômeno complexo.
O processo de inovação se mostra complexo na medida em que sua previsão não é certa, depende do acúmulo de conhecimento até o momento e das oportunidades (estratégica e comercial) sentida pelos agentes econômicos.
- Williamson (1970) reconhece que os indivíduos são limitados racionalmente, o que impõe sérias restrições à capacidade dos mesmos em tomar decisões e fechar contratos, na sua concepção, “os agentes são incapazes de formar expectativas eficientes sobre o futuro, sem embasamentos e sem erros persistentes no curto prazo, pois sua deficiência computacional advém da realidade complexa a ser entendida. Ao realizar um contrato, os agentes são incapazes de usar os dados existentes sobre o mercado para obter conhecimento de curto prazo confiável envolvendo todas as variáveis econômicas (DUNN, 2000, 425).
Williamson diz que os indivíduos possuem a capacidade de avaliar a situação onde os mesmos tomam decisões.
[p. 143] - Outra linha de pesquisa que estuda o conceito de racionalidade na economia é a pós-keynesiana.
- A capacidade do indivíduo em coletar informações para a tomada de decisão, o que é um problema de racionalidade.
[p. 144] - Para os pós-keynesianos “se os agentes têm habilidade para coletar e processar com sucesso todas as informações relativas ao passado e eventos futuros, esta informação de mercado existente não pode providenciar uma fundamentação confiável para se determinar os eventos futuros”.
- A razão apontada é que “o passado não guia o curso dos eventos futuros, os agentes estão em incerteza e não existe informação capaz de descobrir o futuro”. (DUNN, 2000, 427)
A incerteza no sistema econômico gera a limitação racional do indivíduo na teoria pós-keynesiana.
Para Keynes, na falta de elementos que permitam o indivíduo de tomar decisões, o comportamento de seguir o que os demais estão fazendo norteia a tomada de decisão. Esse é o efeito manada.
[p. 144] - “A herança do pós-keynesianismo está firmada nos pressupostos de Keynes (1936): O princípio da incerteza. Radicalmente oposto à racionalidade substantiva neoclássica. Keynes advertia que os mercados eram totalmente imprevisíveis.
O cálculo dos retornos esperados não é uma tarefa fácil.
O conceito de incerteza é trabalhado pela sociologia econômica; justificado pela presença de complexidade e a complexidade é derivada de limites cognitivos (como a racionalidade limitada de Simon e de regras sociais e instituições que podem culminar em comportamentos irracionais).
[p. 145] - Os seres humanos são motivados por movimentos coletivos, então ele coloca sua ênfase na incerteza e não na racionalidade limitada. Neste sentido a incerteza é mais generalista do que a racionalidade limitada. O foco pós-keynesiano é macro, enquanto a racionalidade limitada é micro → no comportamento individual.
A incerteza não se opõe à racionalidade limitada e vice-versa.
Enquanto a racionalidade limitada encara o indivíduo com vontade de fazer a melhor escolha, mas a posse de informações e suas limitações cognitivas o impedem, a incerteza mostra a presença de comportamentos irracionais e ambientes complexos, com normas e instituições que orientam o comportamento do indivíduo, sem que este perceba ou tome a decisão de maneira autônoma.
[p. 146] - Os economistas que estudam o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável romperam com os princípios neoclássicos de racionalidade. Um dos principais estudos é relacionado aos direitos de propriedade comuns, ele visualiza alguns recursos como coletivos e a racionalidade individualista não se adapta ao problema levantado, fato que levantou um dilema entre a racionalidade coletiva e a individual (KLOOSTER, 2007)
Alguns estudos, como WALSH (2007), afirmavam que o problema ambiental era agravado pela racionalidade limitada do consumidor, que desconhece a eficiência dos produtos consumidos, bem como seus verdadeiros impactos ambientais advindos do processo produtivo utilizado e desconhecido pelo lado da demanda.
A economia ambiental se aproximou da geografia. O conceito de geografia humana procura se aprofundar nos impactos dos biomas nas diferentes regiões do planeta. Aplicam conceitos de racionalidade limitada e irracionalidade para explicar o desenvolvimento espacial do planeta (ANDREWS e LINEHAM, 2007).
(BERGH, 2007) - A economia ecológica define o comportamento dos indivíduos frente ao problema ambiental como:
“Um número de estudos no campo de EE examina as implicações de política ambiental frente às teorias de comportamento econômico, elas enfatizam a racionalidade limitada dos agentes econômicos, ambos consumidores e produtores (...). Teorias alternativas ou elementos teóricos incluem “satisficing”, preferências lexicográficas, bem estar relativo, hábitos e rotinas, imitação, reciprocidade, miopia, mudança e preferência endógenas, e vários modelos de comportamento sob incerteza.”
Nova Economia
Georgescu- Roegen apresenta uma nova visão da economia: a bioeconomia. Baseada em pressupostos inovadores, como o valor do bem estar coletivo (e não apenas individual), como consequência, as relações possuem valor. O foco desta teoria não está no indivíduo, mas na sua relação com a biosfera.
A economia não é definida como universal, variando conforme as instituições, história e culturas locais.
Nesta economia, os agentes não são maximizadores e não há busca de equilíbrio (ou mecanismos que o garantam), o comportamento dos agentes pode ser competitivo ou cooperativo e a grande conclusão sugerida é a busca de resultados satisfatórios, o que aproxima o conceito de racionalidade limitada de Herbert Simon da economia ecológica. (GOWDY e MESNER, 1998)
O Desenvolvimento das teorias ortodoxas de racionalidade
1º O conceito de racionalidade limitada produziu uma contribuição direta ao entendimento do conceito de racionalidade na teoria neoclássica
[p. 151] - A teoria da racionalidade limitada influenciou o desenvolvimento de novas teorias fora da escola neoclássica também. No campo da macroeconomia, a teoria neo-keynesiana desenvolveu teorias de falhas de informações e desvio do comportamento otimizador. No campo microeconômico, a teoria da assimetria de informações ocupou o espaço vazio da teoria neoclássica em relação ao problema da falta de informações no processo de tomada de decisões.
Arrow (1987, 74) admite a importância da racionalidade limitada na teoria neoclássica quando diz em seu estudo: “estou aceitando a visão de Herbert Simon, na importância de reconhecer que a racionalidade é limitada”.
[p. 153] - “Talvez o maior avanço da teoria neoclássica em relação ao conceito de racionalidade limitada seja o desenvolvimento da teoria de assimetria de informações, desenvolvido originalmente por Akerlof (1970). (...) As assimetrias de informação podem ser classificadas conforme Vercelli (1991), no escopo das teorias de racionalidade fraca.
Conclusão
Herbert Simon ganhou o prêmio nobel em 1978 com a racionalidade Limitada
Que é a principal alternativa teórica à racionalidade substantiva, pregando a existência de limites cognitivos e processuais no comportamento do indivíduo.
Cercada por duas teorias radicais, a racionalidade substantiva e a incerteza, com resultados totalmente perfeitos e imperfeitos.
A racionalidade limitada constitui-se de uma hipótese aberta e criada em um contexto de diálogo com outras áreas do conhecimento.
Texto 4: Escolhas de Consumo
Capítulo 2: Livros didáticos no consumidor e teoria da escolha
2.1 - O modelo de decisão racional
2.1.1 - Racionalidade instrumental e o conceito de equilíbrio
Pessoas loucas são um problema ao economista porque suas escolhas são imprevisíveis.
Porque os economistas se concentram no comportamento racional.
A lógica do homo economicus é a lógica do lojista.
Racionalidade instrumental:
Uma pessoa é racional instrumental se ela aplica seus recursos eficientemente em ordem para satisfazer suas preferências. Ou seja:
“Ser racional é saber como usar seus meios para atingir seus fins.”
A racionalidade é um instrumento que você aplica para conquistar o que quer. Em outras vias, você é considerado menos racional quando desperdiça oportunidades que podem te satisfazer, dado o orçamento e o preço que terá de pagar.
Nessa teoria o consumidor sempre sabe o que é melhor para ele.
A racionalidade é um mero instrumento para satisfazer as preferências.
A racionalidade instrumental é um pressuposto fundador da teoria econômica dominante (neoclássica). Esse é o cerne de uma teoria completa sobre o equilíbrio na sociedade.
O equilíbrio é um estado natural de descanso/repouso que o corpo ou sistema tende a permanecer.
A economia sempre tende ao equilíbrio, ideia que descreve a mudança de preços, processos de produção, etc.
Aí fala do jogo de 1000 dólares que tem que escolher a metade do maior número escolhido de 1 a 100.
Esse jogo explica o porque dos economistas terem mais dificuldade que um físico, porque as ações das pessoas são determinadas totalmente por processos mentais.
Similarmente nos mercados, de tanto jogar a tendência é chegar ao zero. Vendedores e compradores alteram seus comportamentos (produzir mais, comprar menos) perseguindo a melhor utilidade ou, equivalente, o lucro. Quando o mercado atinge o equilíbrio os preços e quantidades vão parando de mudar.
Como conclusão, os economistas acreditam que a racionalidade individual atua como a gravidade, e tende a um equilíbrio. Economistas neoclássicos definem a racionalidade instrumental (racionalidade como um instrumento para satisfazer seus objetivos) e o modelo de tomada de decisão humana como uma criatura que maximiza a utilidade.
2.1.2 - Utilidade e o princípio equi-marginal
As pessoas racionais se esforçam para satisfazer suas preferências, na melhor maneira que elas podem, como podemos desenvolver uma teoria precisa sobre seus comportamentos?
O que é utilidade?
Nós experienciamos mais quando nossas preferências são satisfeitas (e menos quando são frustradas).
Em vez de conceituar a utilidade como micro joules (física), eles dizem para fazer uma lista de preferências com o resultado mais desejável no topo e a parte mais detestável no fim da lista.
- Quanto mais alto, maior o índice de satisfação.
A racionalidade instrumental significa que cada um tentará subir o mais alto para alcançar o maior índice de utilidade, e assim maximizando-a.
No exemplo citado a des-utilidade é a fadiga. Cada quilômetro que se corre adiciona duas unidades de cansaço.
A desutilidade marginal é de 2 unidades.
A pessoa deveria parar quando a utilidade marginal chegar perto da desutilidade marginal ou quando ambas equalizarem.
É o princípio equi-marginal
Do princípio da racionalidade instrumental para o princípio equi-marginal
Na racionalidade instrumental as pessoas escolhem a quantidade que melhor satisfaça suas preferências.
Se as preferências são traduzidas em utilidade, para ser uma instrumentalidade racional é preciso maximizar a utilidade.
A utilidade é maximizada quando o princípio equi-marginal é satisfeito.
2.1.3 - Consistente preferências como racionalidade
O princípio equi-marginal pode ser extendido ao caso onde a pessoa tem de escolher entre diferentes experiências.
{escolher uma combinação}
Quando se trata de uma só experiência é mais simples
O problema da inconsistência nas escolhas de nossos amigos.
“Os economistas assumem que as pessoas racionais tem preferências consistentes: que quando preferem A a B e B a C que eles sempre irãoi preferir A a C (chamamos essas preferências de transitivo);
Agora o intransitivo: o economista tenta predizer o mais difícil.
Economistas fazem a suposição de que todas as escolhas racionais devem ser consistentes.
Racionalidade instrumental e consistência
A racionalidade instrumental pede que nossas escolhas sejam consistentes com nossas preferências
A maneira como as perguntas são expostas podem alterar o resultado das escolhas.
2.1.4 - Estendendo o princípio equi-marginal
Curva de indiferença (gráficos)
Custo de oportunidade e a avaliação marginal de substituição
- Economistas medem o custo de fazer X não em termos de quanto dinheiro X custa, mas em termos do que você teve que abrir mão para fazer X.
O autor passa a ideia de que:
“Não existe almoço grátis”.
1º - O que é um almoço?
R: Composto de feijão, arroz, salada, tomate, etc.
Quanto de feijão, quanto de arroz, etc.
2º Quanto tempo de força de trabalho para plantar o feijão, arroz, etc.
3º A grande questão é a terra para se plantar.
A questão do trabalho envolve: Terra, força de trabalho e capital de giro.
(gráfico) Com a avaliação de substituição marginal é igual à razão de preços.
Quando uma combinação é uma escolha sensível?
R: Quando a avaliação marginal de substituição é tão próximo quanto possível (idealmente igual) ao preço relativo (ou à razão de preços).
Qual o significado econômico da inclinação da curva de indiferença?
R: Avaliação marginal de substituição
2.1.5 - Do princípio equi-marginal
Para a teoria de demanda do consumidor
Gerar uma teoria da demanda do consumidor
Qual é a proposta da teoria da demanda?
A relação entre preço e a comodidade e a quantidade disso que o consumidor deseja comprar.
Y = M/ Py-(Px/Py).x
O princípio equi-marginal extendido
De acordo com o princípio equi-marginal, a melhor escolha acontece quando a taxa marginal de substituição é igual à razão dos preços. No entanto, a taxa marginal de substituição em qualquer combinação não é mais do que a inclinação da curva de indiferença por esse ponto: Dy/Dx
Na melhor escolha disponível para essa pessoa: Dy/Dx = Py/Px
No entanto, lembre-se de que definimos a utilidade marginal de X e Y como a taxa de mudança na utilidade, sujeita a mudanças nas quantidades de X e Y respectivamente: Du/ Dx e dU/ dX
O princípio de equilíbrio marginal pode ser expresso como:
“Quando há mais de uma experiência/mercadoria para escolha de: escolha a combinação de quantidades que define a proporção de utilidades marginais igual à proporção de disutilidades marginais (ou preços).
(gráfico)
De acordo com o princípio equi-marginal a melhor escolha é o ponto C que tangencia a linha AB
Quanto de X ela quer comprar dados esses preços e dinheiro disponível M?
R: X unidades correspondendo ao ponto C de sua restrição orçamentária A B.
Como conclusão, a derivação das curvas de demanda é o resultado de uma simples aplicação do princípio equi-marginal.
No fim de tudo isso, é preciso concluir que as curvas de demanda são voltadas para baixo e refletem as preferências das pessoas, os preços de outras mercadorias e quanto dinheiro o consumidor pretende gastar?
Isso representa uma teoria unificadora de todo o comportamento humano.
Curvas de demanda: o amigo ilusório do economista
O problema com as curvas de demanda é que elas são frutos da imaginação dos economistas.
2.2 - Rumo a uma teoria geral da escolha:
O princípio equi-marginal torna-se ambicioso (dos economistas neoclássicos)
Esse princípio deveria explicar as ações humanas
A seguir quatro exemplos de como os economistas tentaram levar este modelo além do mundano.
2.2.1 - Juntando informações
Os economistas neoclássicos mostraram que a melhor estratégia para lidar com a incerteza é utilizar o princípio equi-marginal. Eles alegam que a melhor maneira para lidar com a incerteza é a utilização deste princípio.
- Quanto mais informação você reúne, mais alta a qualidade de sua escolha.
Mas não é ficar recolhendo informações até ficar exausto. É necessário ter informações até compreender o que é útil e o que não é útil.
2.2.2 - Da demanda à oferta: tempo e oferta de poupanças
A teoria até então não inclui a incógnita do tempo somente às decisões momentâneas. Mas as decisões momentâneas tomadas no agora influenciam nosso eu do futuro.
Já pensou como o comportamento das pessoas mudariam se o mundo acabasse amanhã?
Poupar é um ato de altruísmo para seu eu do futuro. (se você ganhasse 1000, gastaria tudo ou pouparia tudo? Ou um meio termo?)
2.2.3 - Da demanda para a oferta: A decisão de vender seu trabalho
As experiências X e Y como rendimentos e lazer respectivamente. A inclinação da curva de indiferença reflete as preferências da pessoa entre ter a capacidade de comprar coisas e descansar (ou pintar, escrever poesia).
O preço do lazer relativo ao rendimento é determinado pela remuneração.
- Se o salário oferecido for $10 por hora, o custo (em termos de renda perdida) de 1 hora extra de lazer é $10.
Na vida real os trabalhadores raramente tem a escolha de quantas horas irão trabalhar. Se tiverem sorte lhes será oferecido um trabalho com horas fixas.
2.2.4 - A valoração da vida
O autor questiona no texto sobre o valor da vida e propõe estimular que as pessoas se coloquem no lugar do ministro da saúde, sobre equipar os hospitais com uma nova máquina que possa salvar uma vida por ano financeiro.
- Você autorizaria o financiamento necessário?
1000/hospital (sim) ou 1.000.000 por hospital (não)
Qual é o valor monetário da vida de um ser humano.
Utiliza-se o princípio equi-marginal para responder
Para atribuir valoração à vida humana, é necessário valorar uma pequena porção de vida; dividir a vida em componentes minúsculos e perguntar quanto cada um deles é valorizado.
Você consentiria em morrer por apenas 1 dia? 24 horas?
Se cada pessoa aceitar 10 dólares para uma chance de 1 em 10 milhões. No geral isso teria custado $10 vezes 10 milhões = 100 milhões
- Não concordo com essa avaliação, prefiro avaliar de acordo com quanto um ser humano pode gerar em questão de renda avalia-se um dia de trabalho e se multiplica pela vida, esse é o valor de uma vida.
2.3 - Resumidamente: da racionalidade instrumental para a teoria econômica das escolhas
Inicia-se assumindo que as pessoas são instrumentalmente racionais
Nós realmente estamos de acordo com o princípio equi-marginal? Mais ainda, nós deveríamos?
Capítulo 3 - História dos modelos didáticos: A raíz da maximização da utilidade
3.1 - Traçando as origens da maximização da utilidade
3.1.1 - Uma breve história do auto interesse e a racionalidade instrumental
Para Sócrates (470-399 a.C) os outros são os verdadeiros juízes da maneira como vivemos nossa vida.
Para ele, devemos visualizar nossas ações pelos olhos dos outros.
Jean Paul Sartre (1905-1980) concordou que nós podemos nos conhecer por meio dos outros.
A maximização da utilidade é baseada na ideia de que as pessoas se preocupam, em última análise, com eles mesmos.
Para os economistas, preocupar consigo significa estar preocupado com uma inabalável busca de satisfação de preferência.
Para Sócrates, a vivência com sucesso era mais complicada que satisfazer nossos próprios desejos. E se nossos desejos atuais não são o melhor guia para ação inteligente, precisamos refletir, raciocinar, examinar e reexaminar ambos nossas ações e nossos motivos.
O precursor do moderno utilitarismo era Thomas Hobbes (1588-1679)
- Escreveu sobre o egoísmo dos humanos, de como eles sempre se esforçam para cumprir seus desejos, mesmo que isso signifique ferir brutalmente os outros. Pessoas vivendo numa “guerra de todos contra todos”. E assim a vida seria “solitária, pobre, desagradável, brutal e baixa'' (cit
Apresentação Racionalidade PPT
Apresentação para a disciplina de microeconomia no curso de Desenvolvimento Econômico pela Universidade Federal de Santa Maria
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FERNANDEZ, Brena Paula Magno. Razão, racionalidade, decisão racional: o que a filosofia da ação tem a dizer para a economia? Rev. Text. Econ., Florianópolis, v. 20 n.2, p. 31-53, ago/dez. 2017
FULLBROOK, E. “Are you rational?”. In Edward FULLBROOK (org)., A guide to what’s wrong with economics. London: Anthem, p. 71-83, 2004.
STEINGRABER & FERNANDEZ., R. A Racionalidade limitada de Herbert Simon na Microeconomia, Revista da Soc. Bras. Economia Política, São Paulo, nº 34, p. 123-162, fevereiro, 2013.
VAROUFAKIS, Y. Foundations of Economis: A beginner’s companion. Ed. Routledge, London, 2002.
Este post é a tese. Leituras críticas e sínteses derivadas podem ampliar sua maturidade.