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Rede de Aprendizagem - Economia Ecológica: O Legado de Nicholas Georgescu-Roegen

Economia Ecológica: O Legado de Nicholas Georgescu-Roegen

Resumo
Article economia  ecológica  nicholas  georgescu  roegen   

Nicholas Georgescu-Roegen conheceu Schumpeter na universidade de Harvard em meados de 1946 quando Schumpeter estava no auge de sua carreira como economista. Georgescu, que era matemático especializado em estatística, passou a olhar o mundo de uma forma jamais  vista a respeito do paradigma correlacionado com a economia, de que o sistema econômico é um subsistema da biosfera e poderia estar relacionado com a termodinâmica e não necessariamente com a física mecânica, e isso o tornou incompreensível para sua época. A segunda lei da termodinâmica, a Lei da Entropia, afirma que a energia tende a se dissipar, impossibilitando sua utilização por completo para gerar trabalho e Georgescu passou a observar a relação da entropia com os processos econômicos. A partir deste material busca-se um caminho para a compreensão dos conceitos em economia ecológica de uma maneira simples e precisa com a intenção de esclarecer os leitores quanto a visão de Nicholas Georgescu-Roegen.

Objetivo educacional

Apresentar o legado de Nicholas Georgescu-Roegen

Formato do Recurso
Textual
Requisitos técnicos
Interesse em economia e meio ambiente
Conteúdo

Introdução

Este documento é construído a partir de uma investigação bibliográfica sobre a literatura de Nicholas Georgescu-Roegen, representante da vertente de economia ecológica. Essa vertente econômica considera que o processo econômico foi construído equivocadamente sob o pensamento mecanicista que era vigente no início do século XIX. Essa relação da mecânica com o processo econômico pode ser vista a partir do diagrama circular que ilustra o fundamento epistemológico da economia dominante. Esse diagrama circular recebe suas críticas por ser um modelo fechado em que não leva em conta a poluição como resíduos do processo de produção, que é acumulativo, nem a extração de matéria prima do meio ambiente, que também é acumulativa. 

A continuidade do processo econômico que não inclui a emissão de poluentes e nem a extração de matéria prima é um assunto que deve ser abordado pelos economistas contemporâneos, em vista de que com o passar do tempo a acumulação dos problemas ecológicos causados pelo processo econômico podem se tornar irreversíveis e portanto será um problema das próximas gerações.

Os problemas ambientais já vêm sendo abordados por organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) que desenvolveu a Agenda 2030: Transformando o Mundo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. De acordo com a organização, em 2030 o planeta chegará evitavelmente a um ponto de não retorno, no qual muitos dos desgastes ambientais não poderão voltar a ser como eram outrora e esses desgastes ambientais se devem por conta do processo produtivo.

Outras iniciativas internacionais como a Conferência do Clima (COP) e os protocolos de Kyoto e Montreal visam reduzir os impactos ambientais através de propostas para redução de impactos quanto à emissão de poluentes e na redução de desmatamento. No entanto, os compromissos adotados pelos países não parecem ser suficientes para mobilizar a saúde do processo econômico. Talvez porque os representantes políticos não são os mesmos que participam do processo produtivo e embora os representantes políticos tenham interesse na recuperação ambiental, o processo econômico visa estritamente o lucro. Os atores do processo econômico não veem uma relação direta entre seu processo produtivo e os desgastes ambientais, porque os desgastes ambientais realizados pela ação produtiva parecem ser mínimos. 

Na visão do professor Nicholas Georgescu-Roegen, a economia não está associada à mecânica mas sim à termodinâmica, que aparentemente é a lei da física que mais representa o processo econômico. A primeira lei da termodinâmica afirma que “na natureza nada se cria e nada se destrói, mas tudo se transforma”, e significa que ao queimar 100 kg de madeira, carvão ou petróleo a matéria se reduz a cinzas e o carbono se transforma em gás carbônico. Esse gás carbônico se acumula nas camadas superiores da atmosfera e impedem a saída dos raios solares provocando o famoso efeito estufa. Este, por sua vez, é o principal responsável pelo aumento da temperatura que ocorrerá nos próximos anos.

A produção deste artigo visa contribuir com a vertente da economia ecológica ao assuntar a relevância da obra de Nicholas Georgescu-Roegen. O primeiro tópico aborda o paradigma econômico questionado por Joseph Alois Schumpeter que acaba por ser referência em economia para Nicholas Georgescu-Roegen e introduz o tema da entropia. O segundo tópico aborda a temática da termodinâmica, o qual sua segunda lei é a Lei de Entropia, e se aprofunda no tema. O terceiro tópico aborda a economia ecológica com mais detalhes.

Paradigma Econômico

Joseph Alois Schumpeter, nascido em 1883 (mesmo ano da morte de Karl Marx e do nascimento de John Maynard Keynes), foi um dos economistas mais importantes da primeira metade do século XX. Em 1932 assumiu a docência na Universidade de Harvard, em Cambridge (Massachusetts) e em 1942 publicou Capitalismo, Socialismo e Democracia. 

Schumpeter não designava um processo de desenvolvimento o mero crescimento da economia, demonstrado pelo crescimento da população e da riqueza. Mas que o processo do desenvolvimento somava-se ao desenvolvimento precedente (SCHUMPETER, 1984, p. 74). De modo que o desenvolvimento precedente cria os pré-requisitos para o seguinte (talvez por conta da correlação que ele próprio buscava realizar com a biologia evolucionista). Para Schumpeter, o desenvolvimento é definido pela realização de novas combinações (SCHUMPETER, 1984, p. 76). Ainda nesta publicação afirmou que “produzir significa combinar materiais e forças que estão ao nosso alcance” (SCHUMPETER, p. 75) e que “o comando sobre os meios de produção são necessários para a realização de novas combinações por conta do aprimoramento do processo causado pela socialização” (SCHUMPETER, p. 88). Associou que as descobertas novas são acrescentadas ao estoque de conhecimento existente, da mesma forma como analisou o desenvolvimento. 

Schumpeter buscava relacionar a economia com a biologia, em busca de padrões da natureza no processo econômico em função das ideias de evolução e seleção natural propostas por Charles Darwin em uma biologia evolucionária. Para tanto, via que a evolução das ideias econômicas ocorre em saltos, numa sucessão de épocas de revolução e consolidação (CECHIN, 2010, p. 26) e foi um dos primeiros a considerar as inovações tecnológicas como motor do desenvolvimento capitalista. 

Schumpeter foi um tutor para Nicholas Georgescu-Roegen em economia, que alertou sobre a diferença entre crescimento e desenvolvimento (Georgescu-Roegen, 2012, p. 104). O crescimento acontece quando há aumento da produtividade, per capita, dos tipos de bens correntes, que consequentemente implica em um esgotamento crescente dos recursos naturais acessíveis. Ao passo que o conceito de desenvolvimento na linha evolucionária significa a introdução de inovações no processo econômico, ou seja, o desenvolvimento impulsiona o crescimento e o crescimento acontece associado ao desenvolvimento. De acordo com a lógica de Georgescu,  não há ligação necessária entre desenvolvimento e crescimento, sendo possível conceber o desenvolvimento sem o crescimento (Georgescu-Roegen, 2012, p. 105).

Nascido na Romênia, Nicholas Georgescu-Roegen se graduou em matemática e obteve aos 20 anos uma bolsa de doutorado em 1906 para estudar em Sorbonne, Paris, e da matemática migrou para a estatística. Durante seus estudos em Paris houve a ascensão do nazismo que o mobilizou a migrar para os Estados Unidos em 1946 e foi convidado para lecionar em Harvard. Em Harvard, Schumpeter e Georgescu se conheceram e passaram a disponibilizar tempo para a conversa. O resultado dessa interação pode ser visto a partir das percepções diferenciadas que Nicholas Georgescu-Roegen teve sobre o processo econômico.  

A partir da interação com Schumpeter, Nicholas Georgescu-Roegen aprendeu que as mudanças fundamentais no sistema econômico são de ordem qualitativa, e não podem ser compreendidas com números. Um dos ensinamentos característicos de Schumpeter é de que o aspecto mais importante do processo econômico é precisamente o contínuo surgimento de inovações. E que a inovação é imprevisível, pois ocorre apenas uma vez no tempo cronológico.

A base da argumentação econômica de Georgescu é de que os fundadores da escola neoclássica montaram uma ciência econômica com base no modelo da física mecânica, para realização da utilidade e do interesse individual (Georgescu-Roegen, 2012, p. 55 apud Jevons, 1924, p. 21). A ciência econômica foi fundamentada em princípios da física mecânica porque os cientistas e filósofos da primeira metade do século XIX estavam fascinados com os estudos astronômicos, baseados na mecânica racional (Georgescu-Roegen, 2012, p. 74). 

Georgescu considera que os economistas de sua época se contentaram em desenvolver a disciplina de economia sob o caminho mecanicista e defendem a ideia de que a ciência econômica seria próxima da mecânica. Como consequência dessa adesão, o processo econômico passa a ser regido pelos modelos da física mecânica com princípio de conservação (transformação) e uma lei de maximização. Isso acabou reduzindo o processo econômico a uma cinemática atemporal. Na visão mecânica tudo pode ser reduzido a movimentos pendulares, que se constituem de ciclos, nos quais “a inflação, seca catastrófica ou uma queda na bolsa não deixam marcas na economia” porque a mecânica tem como princípio a reversibilidade (Georgescu-Roegen, 2012, p. 74-75).

Georgescu percebe que na economia o debate epistemológico era menor que em outras ciências como a física e passa a filosofar sobre sua ciência (CECHIN, p. 57). Esse pensamento epistemológico permaneceu ao longo dos anos, apesar da ciência econômica ter avançado acerca dos elementos que compõem a economia e Georgescu aponta como prova o diagrama circular, no qual a produção e consumo fluem num sistema totalmente fechado e cíclico. No entanto, para Georgescu o processo econômico não é um processo isolado e independente, mas dependente de uma troca contínua que altera o meio ambiente de maneira cumulativa. 

A partir dessa percepção, Georgescu questionou uma interação que não consta na economia ortodoxa que são os resíduos do processo econômico e afirma a importância de levar em consideração essas consequências para a história econômica da humanidade, pois “algumas dessas consequências adquirem uma importância excepcional para a compreensão da natureza e da evolução da economia humana” (Georgescu-Roegen, 2012, p. 56).

“A mecânica só leva em conta a massa, a velocidade e a posição, fatores sobre os quais ela fundamenta o conceito de energia potencial e energia cinética. Consequentemente, a mecânica reduz todo processo ao movimento e à mudança na distribuição da energia. A constância da energia mecânica total (potencial e cinética) e a constância da massa foram os primeiros princípios de conservação a serem reconhecidos pela ciência. [...]” (Georgescu-Roegen, 2012, p. 78)

Assimilar a economia com a mecânica é como relacionar a economia a um carrossel que não interfere no meio ambiente, composto de matéria e energia. O que se conclui é que o meio ambiente não está integrado ao modelo analítico do processo econômico. E foi o estudo da termodinâmica que o levou a compreender o princípio da conservação da matéria que consta na primeira lei da termodinâmica, no sentido de que o homem não pode criar nem destruir matéria ou energia (Georgescu apud Marshall, 1924, p. 63). Isso o levou a questionar sobre o que faz o processo econômico, ou melhor, “como é possível que o homem produza algo de material, uma vez que não pode produzir matéria nem energia” (Georgescu-Roegen, 2012, p. 56-57). A partir de então considerou o processo econômico de um ponto de vista estritamente físico, a fim de perceber que esse processo material “não produz nem consome matéria-energia; limita-se a absorver matéria-energia para devolvê-la continuamente”. Isso que entra no processo econômico consiste em recursos naturais de valor e o que é rejeitado consiste em resíduos sem valor. Analisado sob o viés da segunda lei da termodinâmica, “a matéria-energia absorvida pelo processo econômico o é num estado de baixa entropia e sai num estado de alta entropia'' (Georgescu-Roegen, 2012, p. 57).

“A ideia de que o processo econômico não é uma analogia mecânica, mas sim uma transformação entrópica e unidirecional, começou a modificar meu pensamento há muito tempo [...] contudo, foi a nova representação de um processo que me possibilitou cristalizar meus pensamentos, descrevendo pela primeira vez o processo econômico como a transformação entrópica de recursos naturais valiosos (caixa entrópica) em resíduos sem valor algum (alta entropia)”.

(CECHIN, p. 78 apud Nicholas Georgescu-Roegen, “Foreword”, cit., p. XIV)

É no livro The Entropy Law and the Economic Process que Georgescu se dedica a demonstrar a diferença entre a mecânica e a segunda lei da termodinâmica, a lei da entropia, que é uma lei evolucionária (CECHIN, 2010, p. 60). 

A Termodinâmica

A termodinâmica foi desenvolvida por Nicolas Sadi Carnot, um engenheiro militar francês que publicou sua tese em 1824. A contribuição de Carnot demonstrou que o calor tende a se distribuir de maneira uniforme por todo o sistema, e calor uniformemente distribuído não pode ser aproveitado para gerar trabalho. Só é possível utilizar uma forma particular de energia para transformar em trabalho, a baixa entropia, que também pode ser reconhecida como energia utilizável (livre). A outra forma de energia e que não pode ser utilizada ou transformada é a energia não-utilizável (presa), de alta entropia. 

Em 1827 Sadi Carnot reconhece a existência de um princípio de irreversibilidade e 41 anos mais tarde o termo foi cunhado por Rudolf Clausius, um físico alemão, que notou a irreversibilidade de um estado de energia para outro (MERICO apud RIFKIN, 1989). Clausius escreveu no livro Théorie Mécanique de la Chaleur, escrito em 1865, que o termo entropia significa transformação, em grego, (Georgescu-Roegen, 1971, p. 130) e se refere à direção do calor (quantidade de energia) dividido pela temperatura (medida da intensidade da energia). Para Georgescu (2012, p. 80), esta é uma distinção antropomórfica sem igual na ciência. 

Para Clausius, a entropia é uma tendência natural de transformação de ordem em desordem e para Nicholas Georgescu-Roegen e Ludwig Boltzmann, a entropia pode ser definida como a medida do grau de desordem na natureza (MERICO, p. 43 apud GEORGESCU-ROEGEN, 1971; CECHIN, 2010, p. 66). Clausius e Boltzmann afirmam que sistemas isolados tendem à máxima entropia, ou seja, um equilíbrio termodinâmico no qual a temperatura tende a ficar uniforme no sistema (CECHIN, 2010, p. 66). Esse grau de desordem tende natural e continuamente a crescer, significando que o universo tende ao caos e a ordem tende a se desordenar.

A energia no universo é governada pela primeira lei da termodinâmica, a lei da conservação, que é idêntica ao princípio da conservação da energia mecânica. Esse primeiro princípio da termodinâmica permite que “todo processo possa ocorrer num sentido ou em outro, de tal sorte que o sistema retorne ao seu estágio inicial sem deixar vestígio algum do que ocorreu” (Georgescu-Roegen, 2012, p. 81). 

O segundo princípio da termodinâmica, a Lei da Entropia, afirma que “o calor só pode passar por si mesmo do corpo mais quente para o corpo mais frio, nunca em sentido inverso” (Georgescu-Roegen, 2012, p. 81). Isso porque em um sistema isolado, a entropia de um sistema, tende ao seu máximo. Ou seja, a energia utilizável é continuamente transformada em energia não-utilizável até desaparecer totalmente. E assim é possível definir a entropia como “um índice da quantidade de energia não-utilizável contida num dado sistema termodinâmico num determinado momento da sua evolução”. Isso significa que o conceito de entropia envolve o tempo, ao passo que a mecânica é reversível e portanto atemporal. Dirk ter Haar afirmou que o conceito de entropia “não é facilmente compreendido nem mesmo pelos próprios físicos” (Georgescu-Roegen apud HAAR, 1959, p. 37).  

Um sistema pode ser considerado isolado quando não troca matéria nem energia com o seu ambiente e num sistema isolado, a quantidade de energia-matéria é constante. De maneira geral, “todas as formas de energia são gradativamente transformadas em calor, e o calor, afinal, torna-se tão difuso que o homem não pode mais utilizá-lo” (Georgescu-Roegen, 2012, p. 82). Para Georgescu, a entropia pode ser considerada como uma forma de desordem (sua dissipação), não somente da energia, mas também da matéria, pois a matéria também está submetida a uma dissipação irrevogável.

Para uma definição mais simples sobre o conceito de entropia, a energia química contida num pedaço de carvão, que pode ser considerada como energia livre pode ser transformada em calor ou em trabalho mecânico facilmente. E por outro lado, a enorme quantidade de energia térmica contida na água dos mares, que não pode ser utilizada e portanto pode ser considerada como energia presa ou energia indisponível. A energia livre pode ser relacionada a uma certa organização físico-química de energia-matéria, enquanto a energia presa pode ser considerada como a desorganização dessa energia-matéria, tal qual o carvão após ser queimado não pode ser reutilizado para a queima.

Toda a vida econômica da humanidade se alimenta de baixa entropia (madeira, alimentos, minérios, roupas, energia, etc.) e os transforma em elementos de alta entropia, que pouco ou nada podem ser utilizados a não ser que seja realizado mais trabalho, como no caso da reciclagem. A lei da entropia assegura (CECHIN, 2010, p. 73) que não se pode usar a mesma energia indefinidamente, queimando o mesmo carvão ad infinitum. Pois, se fosse possível, não haveria escassez nem resíduos do processo produtivo e poderíamos reciclar 100(percent), como consequência a baixa entropia é condição necessária para algo ser útil e ter valor (MERICO,1996. p. 47). 

Georgescu passou parte de sua trajetória explicando que a termodinâmica é, no fundo, uma física do valor econômico, sendo a mais econômica de todas as leis (Georgescu-Roegen, 2012, p. 83). Isso porque a Lei da Entropia reconhece a distinção qualitativa, que é o que os economistas deveriam ter percebido desde o início. Admitir a Lei da Entropia na economia significa distinguir os inputs dos recursos de valor (baixa entropia) e os outputs finais de resíduos sem valor (alta entropia). 

Para fins de instrução, o que o processo econômico realiza é a transformação de matéria e energia de valor em resíduos sem valor através dos aparelhos exossomáticos, que são aparelhos fora do corpo do ser humano e que consomem matéria e energia (Georgescu-Roegen, 2012, p. 84). Todas, ou quase todas, as espécies utilizam instrumentos endossomáticos, em uma análise biológica, estes aparelhos são as garras, pernas, aparelho digestório, que servem para realizar funções para se aquecer, movimentar, respirar, etc. 

“Lotka (1945) chamou os animais de endossomáticos, pois utilizam apenas seus órgãos para captar a energia disponível necessária à sua sobrevivência (energia vital), enquanto os humanos foram chamados de exossomáticos, por sua capacidade de captar e usar mais energia do que a necessária para sobreviver (mais que a energia vital)” (MERICO, p. 46). 

De acordo com Georgescu (2012, p. 116), o homem consegue utilizar e até fabricar ferramentas para potencializar sua capacidade endossomática. A evolução humana então transcendeu os limites biofísicos para incluir a evolução dos instrumentos exossomáticos que não pertenciam inicialmente ao seu corpo. Por conta desses instrumentos é que o ser humano pode voar, mesmo que não tenha asas e “nadar” mesmo que não tenha nadadeiras e brânquias. E essa evolução exossomática promoveu duas transformações fundamentais e irreversíveis. A primeira é a caracterização de conflitos sociais, como uma guerra civil - que não é vista entre os animais. E a segunda é a dependência nesses instrumentos exossomáticos, que gera um problema tanto biológico quanto econômico, e portanto bioeconômico. 

De acordo com Georgescu (2012, p. 117), os contornos dependem de algumas assimetrias que existem nas três fontes de baixa entropia que constituem o dote da humanidade: a energia livre recebida do sol por um lado e por outro lado a energia livre e as estruturas materiais ordenadas armazenadas nas entranhas da terra. Algumas assimetrias foram assinaladas de acordo com essa percepção. A primeira assimetria seria os componentes terrestres, como o carvão, que devem ser considerados como estoques e diminuem no decorrer do tempo. Ao passo que a energia solar deve ser vista como um fluxo (infinito). A segunda assimetria faz referência às matérias de baixa entropia que constituem o elemento mais crítico do ponto de vista bioeconômico. Sendo assim, Georgescu alerta para a necessidade de uma gestão dos recursos finitos, pois um consumo de recursos na atualidade significa também um esgotamento prematuro.

A terceira, quarta e quinta assimetrias (Georgescu-Roegen, 2012, p. 120-121) envolvem o consumo de energia solar como uma fonte inesgotável e por não produzir poluição nociva em contraposição ao consumo de combustíveis fósseis ou de hidroelétricas. Aponta ainda que a geração de combustível como o biodiesel faz mais sentido do que o consumo de combustíveis fósseis. E a sexta assimetria procede de que a sobrevivência da espécie humana sobre a Terra depende da energia solar e que somente o ser humano faz uso dos recursos minerais em função de sua dependência exossomática.

Esse é o processo entrópico que ocorre na natureza. Ao realizar trabalho, o aparelho exossomático emite calor como resultado do seu processo de transformação de matéria e energia. O calor implica diretamente no aumento de temperatura, como exemplo o gás carbônico, que emitido através da queima de combustíveis fósseis contribui para a formação do efeito estufa que dificulta a saída dos raios solares da atmosfera. A poluição implica a desorganização de matéria no ambiente que impacta diretamente a biodiversidade, pois todos os rios levam para o mar. A retirada de matéria da natureza pode ser basicamente interpretada pela retirada de florestas, que só vem aumentando ao longo do tempo. 

Os resíduos do processo produtivo só existem por conta da criação de equipamentos exossomáticos, os quais diminuíram o esforço humano para a realização de determinadas tarefas. Sendo possível que o processo econômico esteja correlacionado com a evolução exossomática da humanidade, pois se trata de mudanças no modo de produção de produtos por bens de capital. Como consequência, a produtividade cada vez mais alta e melhor induz os seus resíduos a também serem maiores (Georgescu, 2012, p. 65).

Economia Ecológica

Tendo em vista o modelo do diagrama circular, o estudo da economia ecológica leva-nos a perceber que o processo econômico ocorre somente no nosso planeta e portanto, dentro de um sistema fechado no qual somente entra radiação eletromagnética. Isso nos leva a crer que a economia é um subconjunto da biosfera, e a biosfera é representada por toda a biodiversidade que existe neste planeta. 

A economia ecológica consiste na análise entre as trocas físicas que ocorrem entre o sistema ecológico total e o subsistema econômico (MERICO, 1996, p. 30). Em vista de que o subsistema econômico se alimenta de matéria/energia de baixa entropia que provêm dos ecossistemas e deixa como resíduo matéria e energia de alta entropia através do maquinário exossomático. A maioria das espécies e organismos realiza conversões energéticas dentro de seu corpo biológico e estes são denominados instrumentos endossomáticos que também soltam resíduos em forma de fezes e urina. 

 

Como apontado anteriormente, a análise econômica esteve associada à mecânica clássica, pois “a estrutura analítica do paradigma dominante na economia é baseada na metáfora da conservação de energia” (CECHIN, p. 39). O paradigma mecânico teve como importante sintoma o não reconhecimento dos fluxos de matéria e energia que entram e saem do processo econômico, e muito menos da diferença qualitativa entre o que entra e o que sai nesse processo (Cechin apud Georgescu-Roegen, 1966, 1971). A grande contribuição de Georgescu foi a associação com a segunda lei da termodinâmica que é a lei da entropia e significa que a energia tende a se dissipar, impossibilitando sua utilização por completo para gerar trabalho.

No que tange ao processo científico, a ciência é um tipo de atividade altamente determinada que consiste em resolver problemas sob a orientação de um paradigma e esse paradigma caracteriza a ciência normal.  É possível, de acordo com Thomas Kuhn, que haja ruptura ou substituição do paradigma, mas isso não significa voltar ao estágio da pré-ciência. Para Kuhn, filósofo da ciência, o desenvolvimento da ciência é pontuado por rupturas ou revoluções. Dado que novas descobertas científicas podem amparar o surgimento de novos paradigmas.

Os manuais de economia abordam os modelos utilizados, fundamentados em paradigmas estabelecidos, para que se aprenda o funcionamento do mundo econômico e representam uma visão consensual da economia como um corpo de conhecimento bem articulado com a física.  Para Thomas Kuhn, a revolução na ciência:

“É uma espécie de mudança envolvendo um certo tipo de reconstrução de compromissos de grupo. Mas não necessita ser uma grande mudança, nem precisa parecer revolucionária para os pesquisadores que não participam da comunidade.” (CECHIN, p. 24).

A revolução na ciência que Thomas Kuhn aborda é a mudança de paradigma, o estabelecimento de uma nova visão pré-analítica e de novas regras. E na ciência econômica os estudiosos não tinham percebido que o processo econômico não é possível sem a entrada dos recursos da natureza (baixa entropia) e a saída de resíduos que lhe são devolvidos (alta entropia). A economia transforma bens naturais valiosos em rejeitos que não podem ser mais utilizados, e estes bens são finitos (podem ser contabilizados) e escassos, que em detrimento do uso o recurso pode vir a se esgotar, fatos que devem ser levados em consideração.

Georgescu foi um visionário que percebeu que o processo econômico é irreversível, através da correlação com a segunda lei da termodinâmica, e previu que em algum momento os recursos naturais chegariam a um ponto de saturação. A argumentação do autor nos leva a pensar que talvez as futuras gerações não terão acesso aos recursos e aos serviços da natureza de modo semelhante ao que tiveram as gerações precedentes. Isso significa que a natureza é a única limitante do processo econômico e que, talvez, em um futuro longínquo o ritmo das atividades econômicas poderá ser inferior ao da atual. Portanto, há de desacelerar o crescimento econômico, o que o próprio Georgescu chamou de decrescimento econômico. Por essa e outras afirmações foi que Paul Samuelson, prêmio Nobel de 1970, considerou Georgescu como economista dos economistas e professor dos professores (Cechin, 2010, p. 17). 

O que não é possível é ignorar a existência da poluição, pois, apesar dos esforços realizados para reduzir o impacto da poluição no ecossistema, o acúmulo de poluição pode provocar a primeira crise ecológica grave (Georgescu-Roegen apud Meadows et al., 1972, p. 126).  Na concepção de Georgescu, a humanidade tem dominado quase completamente o estoque terrestre de energia disponível, sendo possível utilizá-lo totalmente em poucos anos e, por outro lado, tem pouco controle sobre o fluxo de radiação solar. Portanto, a verdadeira defesa do meio ambiente deveria estar centrada no índice global de esgotamento dos recursos (e no índice de poluição que dele decorre).

Sobre o crescimento econômico, Georgescu (2012, p. 105-106) afirma que o PNB per capita pode significar um aumento do índice de esgotamento de recursos e também um aumento do consumo de recursos por habitante. Embora, teoricamente, o crescimento econômico seja compatível com a queda do índice de esgotamento, o crescimento não pode acontecer sem um aumento desse índice. A menos que a população diminua. Na visão do autor, devemos nos preocupar mais com a abundância de recursos do que com a qualidade de vida, em vista que a qualidade de vida não é para todos. Em via contrária, os sistemas e planos econômicos têm sido avaliados para o maior crescimento possível (Georgescu-Roegen, 2012, p. 108).

O crescimento exponencial num mundo finito conduz a desastres de todos os tipos, e para muitos economistas, a salvação ecológica reside no estado estacionário (Georgescu-Roegen, 2012 apud Hardin, 1968; Istock, 1970; Meadows et al., 1972, p. 156-184; The Ecologist, p. 3). Para Herman Daly, referência na economia ecológica, a economia estacionária é uma necessidade. Mas na visão de Georgescu (2012, p. 111-112), tanto o crescimento zero como um possível decrescimento não poderiam durar eternamente num meio ambiente finito. A ação que amplifica a existência da humanidade seria substituir o estado estacionário por um estado de decrescimento, que pode estar relacionado a uma ideia de desenvolvimento endógeno. Mas com certeza uma administração do estoque finito de recursos e ações para a diminuição entrópica causada pelos resíduos em poluição contribui enormemente para as próximas gerações.

Deve-se perceber que a natureza das atividades de produção e os padrões de consumo, bem como o crescimento das rendas nacionais que geram a degradação ambiental. E que “quanto mais uma atividade é agressiva ao ambiente natural, maior é sua contribuição para a renda nacional'' (MERICO, p. 56). Mas são estas atividades que, ao utilizar o espaço, solo e recursos, ou até pela sua poluição através da produção e consumo, mais agridem o meio ambiente e como exemplo podemos utilizar o petróleo, a indústria petroquímica, as siderúrgicas, a agropecuária, construção de estradas e a mineração.

Somente com o tempo foi que o ser humano aprendeu a cultivar alimentos, praticar a rotatividade do solo e utilizar estrume como fertilizante. A partir das atividades agrícolas é que o ser humano conseguiu retirar benefício do uso de animais domésticos a tração. Georgescu afirma (2012, p. 121-124) que somente reforçando a produtividade da terra cultivada é que será possível salvar a humanidade diante das calamidades da subnutrição e miséria. Esse esforço ocorre através da mecanização da agricultura, com uso de fertilizantes e pesticidas químicos, bem como o cultivo de diferentes variedades de cereais de alto rendimento. No entanto, estas técnicas, a longo prazo, “vão em orientação contrária ao interesse bioeconômico fundamental da espécie humana” (Georgescu-Roegen, 2012, p. 123).

A substituição do animal de tração pelo trator, da forragem pelos combustíveis para os motores, do estrume por fertilizantes químicos equivale a substituir a energia solar por elementos escassos (Georgescu-Roegen, 2012, p. 124). Essa substituição aumenta o rendimento do cultivo, porém leva ao esgotamento da baixa entropia de origem terrestre. Então uma agricultura altamente mecanizada possibilita a sobrevivência de uma grande população, mas ao preço de um esgotamento maior dos recursos. Que, no longo prazo, desencadeia uma redução de vida futura. Além de que a agropecuária é a maior causadora da extinção da biodiversidade e a extinção é um caminho sem volta.

Nicholas Georgescu-Roegen é a favor da absorção da economia pela ecologia, pois os domínios da ecologia são mais abrangentes que os da ciência econômica. Isso porque as atividades econômicas de uma geração interferem na atividade econômica de gerações futuras, e “os recursos terrestres em energia e em materiais vão sendo irreversivelmente degradados e os efeitos nocivos da poluição sobre o meio ambiente se acumulam” (Georgescu-Roegen, 2012, p. 125). Na visão do autor, um dos principais problemas ecológicos da humanidade é a diferença de qualidade de vida entre uma geração e a outra. Isso significa que o objeto da ciência econômica deveria ser a gestão dos recursos escassos, pois, ao que parece, cada geração pode utilizar os recursos terrestres e produzir a poluição que resultar de seu processo produtivo.

Esta questão envolve considerar não somente nossos filhos e netos, mas pensar nas condições de recursos para a geração, por exemplo, do ano 3000 ou até nas gerações que sobreviverem daqui 100 mil anos (Georgescu-Roegen, 2012, p. 125-127). Isso porque vivemos o presente de forma a consumir o máximo de recursos possíveis e as próximas gerações ficam à mercê das ações precipitadas da contemporaneidade.

A abordagem de Georgescu aborda uma planificação econômica onisciente para evitar essa situação porque podem aparecer graves carências além do nosso horizonte temporal atual. Por outro lado, os mecanismos do mercado não podem proteger o futuro da espécie humana de crises ecológicas, como por exemplo o COVID-19, nem distribuir recursos da melhor maneira possível entre as gerações, mesmo que se procure fixar preços “justos”.

O autor aborda (Georgescu-Roegen, 2012, p. 129-131) que a maneira de proteger as futuras gerações é reduzindo o consumo enquanto ainda há abundância. Visto que a reeducação é uma maneira de ter simpatia pelos futuros seres humanos da mesma maneira como nos preocupamos com o bem-estar do “próximo” contemporâneo. E a reflexão sugerida pelo autor é sobre “os motivos que nos levariam a fazer algo em prol da posteridade”.

Considerações finais

Neste paper buscou-se investigar um pouco da epistemologia econômica de acordo com a economia ecológica fundamentada por Nicholas Georgescu-Roegen. O autor aborda a importância de incluir no diagrama circular os inputs e outputs do processo produtivo, que são os insumos de baixa entropia e os resíduos do processo produtivo que saem como poluição, e portanto, alta entropia. O que se conclui é que a continuidade do processo produtivo como tal pode levar ao esgotamento dos recursos e o aumento de entropia na biosfera. 

Um dos pontos que chamou atenção foi de que, na visão de Georgescu, o processo econômico é um subconjunto da biosfera. E que ao diminuir a qualidade da biosfera, diminui-se também a qualidade do processo econômico, portanto um estaria ligado ao outro. Isso acontece porque a termodinâmica distingue a energia útil da energia inútil para propósitos humanos e assim a baixa entropia acaba sendo uma condição necessária para que algo seja útil para a humanidade.

Considera-se ao analisar o processo produtivo do século XXI a necessidade de insumos para manter a alta produtividade. E que é necessário um fluxo constante de energia-matéria para que este conjunto de indústrias continue a funcionar e, de modo contrário, a não emissão de insumos significa a diminuição dos produtos finais. Como os insumos são associados à matéria-prima finita e também considerada de baixa entropia, o que nos leva a concluir é que o paradigma da economia pode estar relacionado à termodinâmica e não estritamente com a física mecânica.

Nicholas Georgescu-Roegen apresenta o conjunto de ideias associadas à economia com o objetivo de demonstrar que o objetivo do processo econômico não tem haver com a produtividade, mas sim com a alegria de viver. Isso significa que o processo produtivo busca a satisfação de necessidades do ser humano e essa satisfação das necessidades estaria relacionada à felicidade humana como um fluxo imaterial de bem-estar gerado pelo processo econômico.

O crescimento econômico levado pelo consumismo e desperdício só são interessantes para aqueles que desfrutam desses padrões de consumo, mas são definitivamente contra a humanidade como um todo e contra as futuras gerações. A única saída para a humanidade seria o processo econômico ser compatibilizado com o seu próprio estoque de baixa entropia, em função de que não existe a possibilidade de migração para outro planeta, a não ser para pessoas ricas.

Quanto ao mantimento do processo produtivo, se faz necessária uma administração mais precisa possível dos recursos naturais. Estes recursos naturais, na visão econômica, podem ser interpretados como Capital Natural. Pois tais recursos são finitos e passíveis de serem esgotados. Quando se avalia o crescimento econômico com a perda de florestas e biodiversidade, é possível perceber que não há uma administração efetiva destes recursos. O que se conclui nesta análise é que a humanidade consome recursos para a satisfação de suas necessidades atuais e não pensa na satisfação das necessidades das próximas gerações de seres humanos.

A fonte de todos os materiais que alimentam a economia, a biosfera, é finita e sua absorção de resíduos tem um limite. Portanto se faz necessário que o subsistema economia não ultrapasse a capacidade de sustentação dos ecossistemas, pois isso romperia os processos de manutenção da vida no planeta e afetaria os ecossistemas básicos. Sendo necessária a imposição de limites biofísicos sustentáveis para determinar uma escala adequada para a economia a fim de evitar o rompimento destes ecossistemas. Isso implica que para uma melhor administração dos recursos naturais é urgente que as indústrias se apliquem a (1) não emitir resíduos e que os municípios se apliquem a (2) produzir florestas e manter a biodiversidade. Pois a vida econômica se nutre de vida e matéria e dispersa poluição como resíduo ao ambiente. 

A análise de acordo com a Lei da Entropia demonstrou também que a redução dos impactos ambientais causados até então pode nos custar mais caro. Isso porque os impactos ambientais estão relacionados com o aumento da entropia no sistema fechado e para tornar este material de alta entropia em baixa entropia é necessário um gasto maior de energia, isso implica que é necessário um modelo de sociedade que se aplique a curar os problemas já instalados. Caso isso não aconteça, a espécie humana diminuirá seu tempo de vida na Terra.

É perceptível que o processo econômico, baseado no crescimento ilimitado tem achado seus limites, e que mais crescimento econômico, dentro dos padrões de consumo e produção, pode nos levar para mais longe de uma sociedade sustentável. Essa percepção demonstra a necessidade de mudanças nos paradigmas da economia e de uma nova racionalidade econômica no qual a sustentabilidade seja o novo elemento organizador. Por exemplo, no Brasil a mata atlântica atualmente está reduzida a 12,5(percent) e a mata de araucária já foi reduzida a 3(percent) por conta do processo exploratório da indústria madeireira, no qual entre os anos 1930 e 1990 foram derrubados cerca de 100 milhões de pinheiros.

A realização do plantio pode ser considerada uma desaceleração do processo entrópico, que, de acordo com Luiz Fernando Krieger Merico, pode ser denominado de sintropia. A sintropia pode ser considerada como o grau de capacidade organizacional da matéria/energia, sendo assim, há de se perceber que o nosso planeta é o único com um sistema sintrópico. Esse fenômeno da vida acontece por conta da distância do sol, que permite que tenhamos água nos três estágios e a temperatura permite a vida acontecer neste pequeno planeta. 

A ideia de Georgescu é que não basta parar de crescer, ou mesmo estabilizar o fluxo de recursos naturais que entram na economia. Pois continuar com a reprodução de resíduos resulta em um fenômeno prejudicial às formas de vida, humanas  e não humanas, pois os ambientes se tornarão deteriorados. 

O atual momento histórico demonstra que a escala da economia atingiu os limites dos ecossistemas e não é mais possível ignorar as consequências entrópicas do processo econômico. A macroeconomia deveria abandonar sua exclusiva análise do fluxo monetário e admitir as diferenças qualitativas da matéria que é uma análise do fluxo energético, orientando a economia a adotar as transformações necessárias para reduzir o transfluxo insustentável de baixa entropia para alta entropia provocado pelos seres humanos. 

O tema da sobrevivência da humanidade necessita atenção ao apego do homem aos seus instrumentos exossomáticos, que é o que o distingue dos outros animais. De acordo com a produção textual, o problema é biológico, econômico, social e ambiental. Em vista de que os problemas ecológicos aparecem como falhas no metabolismo exossomático justamente porque a humanidade criou dispositivos que aumentam o fluxo de resíduos indesejáveis. Este é o paradoxo porque foi um dos maiores sucesso adaptativos do homem: a habilidade de extrair a baixa entropia contida nos combustíveis fósseis que hoje resultam no efeito estufa e aquecimento global. 

A economia ecológica apresenta que a tendência de extração de recursos será decrescente, por mais remoto que seja o início dessa tendência e isso fará com que a escala da economia seja reduzida. Isso implica a necessidade de uma administração efetiva das dinâmicas no âmbito micro. E quanto mais cedo começarmos o processo de administração dos inputs e outputs, maior será a sobrevida da atividade econômica da espécie humana. 

De toda maneira, as próximas gerações estarão comprometidas com o atual desenvolvimento econômico, que serão prejudicadas com a poluição no ambiente por conta da utilização dos recursos energéticos e materiais terrestres do processo produtivo. Para próximos estudos, cabe uma análise se as gerações futuras terão uma qualidade de vida igual ou melhor que a atual. Mas para Georgescu, a questão dos problemas ecológicos se resolve a partir da preocupação com a dinâmica da distribuição dos recursos e serviços, o que é possível entender como o desenvolvimento endógeno e não somente com a alocação de bens relativamente escassos para o consumo de uma única geração.

Numa época em que os economistas se recusaram a ver a íntima relação entre escassez de recursos e o processo econômico como um todo, Georgescu foi condenado academicamente e banido da universidade Vanderbilt em 1976 por defender a tese de que a economia seria absorvida pela ecologia. 

Referência Bibliográfica

CECHIN, A. A natureza como limite da economia: A contribuição de Nicholas Georgescu-Roegen. São Paulo: Senac; Edusp, 2010.

GEORGESCU-ROEGEN, Nicholas. O Decrescimento. Editora Senac São Paulo, 2012.

MERICO, Luiz Fernando Krieger. Introdução à Economia Ecológica. Editora da FURB, Blumenau, 1996. Coleção Sociedade e Ambiente 1.

SCHUMPETER, Joseph Alois. Capitalismo, socialismo e democracia. Rio de Janeiro: Zahar, 1984.

Recursos de mídia
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Autor

Thiago Santos da Silva
Criado em 22/02/2022
Atualizado em 22/02/2022
Idioma: Português
Afiliação
Kalki Produções
Tipo do Documento
Artigo
Público-alvo
  • Ensino Médio
Tipo de Inteligência
  1. Intelligence type naturalist
  2. Intelligence type interpersonal
  3. Intelligence type logical mathematical
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